RICARDO BARROS: “CPI IGNORA FATOS PARA CRIAR DESGASTE AO GOVERNO BOLSONARO”

Foto: Divulgação

O deputado federal Ricardo Barros (PP/PR) afirmou, nesta quarta-feira (20/10), que o relatório da CPI da Pandemia ignora os fatos e os depoimentos colhidos na Comissão. Barros rebateu todas as acusações do senador Renan Calheiros e reforçou que irá processar o relator por abuso de autoridade e denunciação caluniosa. “Não vai dar em nada. Não tem fundamento e não será objeto de medidas do Ministério Público. São assuntos já esclarecidos”.

Ricardo Barros lembrou que todos os depoentes ouvidos na CPI, sem exceção, o isentaram de envolvimento na negociação da vacina Covaxin. “Foram 12 pessoas que negaram a minha participação.A CPI não pode ignorar o fato de que a investigação negou as suspeitas. Vou processar o senador Renan Calheiros”, disse. “São acusações para me desgastar e desgastar o Governo Bolsonaro”, acrescentou.

CERCEAMENTO – O líder do Governo destacou ainda que o presidente da CPI, senador Omar Aziz, cerceou seu direito a defesa ao interromper subitamente o seu depoimento no início de Agosto. “Sempre estive à disposição para os esclarecimentos. Fui ao STF para solicitar que marcasse o meu depoimento. Estava destruindo a narrativa da CPI com documentos sobre todas as suspeitas. Meu direito a defesa foi cerceado, por isso também processarei o senador Aziz”.

MINISTÉRIO – Barros disse que ao não encontrar provas das suspeitas o relator tenta produzir denúncias sobre fatos ocorridos durante a gestão no Ministério da Saúde entre 2016 e 2018, período anterior à pandemia e que não é objeto de investigação da Comissão. “São acusações que não se sustentam”.

MPF – Entre as acusações apontadas por Renan estão transcrições de um processo movido pelo Ministério Público Federal (MPF) em 2019 que contesta compras de medicamentos realizadas na gestão de Barros no Ministério. “São seis páginas de cópias dos argumentos do MPF, assunto anterior à pandemia e que está sendo esclarecido na Justiça. Compra dentro das regras com pareceres jurídicos favoráveis. Não terá efeito prático nenhum no relatório da CPI”.

EMENDA – Ricardo Barros também rebateu a acusação de que teria apresentado uma emenda para incluir a agência indiana de saúde na MP 1.026 para beneficiar a negociação da Covaxin. A citação à emenda aparece diversas vezes no relatório. “O senador Omar Aziz, o irmão do Renan Calheiros e vários outros parlamentares apresentaram emendas semelhantes relacionadas à Índia. É uma falta de inteligência insistir no raciocínio de que haja alguma conexão”.

INDICAÇÃO – Sobre a acusação de ter indicado o servidor Roberto Dias para o departamento de logística do Ministério da Saúde, Ricardo Barros ressalta novamente que não tem relação alguma com a nomeação. “O assunto está mais do que explicado. O ex-deputado Abelardo Lupion e o ex-ministro Mandetta já assumiram a indicação de Roberto Dias para o Ministério no início de 2019”.

CANSINO – Em relação à negociação da farmacêutica Belcher com a Cansino para a venda de imunizantes ao Ministério, Barros reforça que era uma boa oportunidade para o país, já que se tratava de uma vacina de dose única a um preço de 17 dólares, enquanto que a Pfizer custa 24 dólares as duas doses, mais o custo de logística.

“Não havia nada errado. É lamentável que o Ministério não ter comprado as vacinas. E não comprou porque a CPI espantou os interessados em vender no Brasil. Só agora, depois que foi anunciado o fim da Comissão, é que a empresa estrangeira buscou um representante no país”.

ERROS – O relator ainda tenta induzir a dois erros, denuncia Ricardo Barros. Primeiro, Renan Calheiros afirma que o empresário Francisco Feio Ribeiro participou de uma reunião oficial no Ministério da Saúde no dia 15 de Abril de 2021, quando na verdade quem estava era Emanuel Catori que apresentou um antiviral favipiravir para uso em pacientes hospitalizados da Covid-19. A foto foi divulgada no Flickr oficial do Ministério.

Renan também desinforma ao declarar que a lei de licitações (8.666) não exige representante legal de empresas estrangeiras interessadas em negociar com o poder público. “Erro, a lei exige um representante legal no Brasil. Isso é tentativa afoita do relator de criar mais indícios”.

ADVOCACIA ADMINISTRATIVA – O líder do Governo Bolsonaro rebateu a acusação “de fortes indícios de advocacia administrativa” em favor da Belcher/Cansino.

“Sou um parlamentar atuante, ex-ministro, coordenador da Frente Parlamentar da Indústria Pública de Medicamentos e busco ajudar o Brasil a enfrentar a pandemia, sem interesse pessoal e sem nenhuma questão que não seja republicana. Atendi a todos que me procuraram. Meu objetivo era ajudar o país a ter vacinas no prazo adequado para imunizar a população”.

MAXIMIANO – O relatório também acusa Ricardo Barros de possuir relação pessoal com o sócio da Precisa, Francisco Maximiano. “A CPI sabe que isso é mentira. O próprio Maximiano negou que tenha relação comigo. A única vez que nos encontramos foi numa audiência oficial no Ministério da Saúde, quando eu ainda era ministro”.

TOLENTINO – Sobre a amizade com o empresário Marcos Tolentino, Ricardo Barros voltou a esclarecer que a relação envolve assuntos de radiodifusão, já que ambos são proprietários de rádios e se conhecem há anos. “Não tem nada a ver com FIB Bank, tem a ver com radiodifusão como já expliquei”.

PANDEMIA – Barros reafirmou ainda que a gestão da pandemia no país errou no início durante a gestão Mandetta quando orientava as pessoas a ficarem em casa até os sintomas de falta de ar. “Foi um erro sim. A gestão Eduardo Pazuello corrigiu os rumos e orientou as pessoas a procuraram o sistema de saúde nos primeiros sintomas”.

EMPRESAS – O deputado criticou duramente a inclusão das suas empresas no relatório da CPI da Pandemia. “A gestão delas não tem relação alguma com a pandemia. Não há nada de errado”.

Segundo Barros, a RC1 e a RC4 são empresas patrimoniais, incorporadoras constituídas para comercializar imóveis. “Elas vendem patrimônio, não faturam no mercado. Portanto o quadro funcional é irrelevante e sem relação alguma com os faturamentos”.

A BB Corretora é uma imobiliária, que faz negócio em parceria com outras imobiliárias. “Tenho Creci (Conselho Regional de Corretores de Imóveis) há mais de 40 anos”, explicou Ricardo Barros.

Já a Mineralizadora Fonte de Luz é uma fonte de água mineral que só extrai água e envasa. “Assim, nota de entrada não é cabível. As observações do relator em relação às empresas foram feitas por ignorância”, frisou.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *