O BOLSONARISMO CAUSA GRAVES DANOS À CULTURA BRASILEIRA

O BOLSONARISMO CAUSA GRAVES DANOS À CULTURA BRASILEIRA

O Bolsonarismo prossegue a sua sanha de destruição, em todas as áreas. A mais recente vítima da saga de ignorância e de estupidez liderada pelo presidente da República foi a Cultura, com o fim de uma das bandas mais populares do Brasil: o Boca Livre. Não é um tema menor, no atual contexto.

A decisão do músico David Tygel de se juntar aos grandes Zé Renato e Lourenço Baeta, que se retiraram da banda em repúdio às posições bolsonaristas do arranjador Maurício Maestro e em defesa de uma Nação plural e democrática, simboliza a angústia que o universo cultual progressista vive, há pelo menos dois anos.

Dono do naming rights do Boca Livre, Maestro pode até prosseguir com a banda, mas vai ter dificuldades para justificar ao seu público a mudança no quarteto e na orientação política de um grupo que sempre esteve associado a nomes do campo progressista, como Chico Buarque, Elis Regina e Milton Nascimento.

Mais: o Boca Livre foi uma das bandas que, em 30 de abril de 1981, tocou no célebre show promovido pela frente Centro Brasil Democrático, no Centro de Convenções do Riocentro, para pedir a redemocratização do país – dia em que um frustrado ataque à bomba realizado por militares (o sargento Guilherme Pereira do Rosário e o capitão Wilson Dias Machado) contribuiu para envergonhar ainda mais o já vexaminoso Exército brasileiro. 

O fato é que, vexames à parte, Jair Messias Bolsonaro promoveu o maior golpe contra a Cultura brasileira desde que os homens do coturno censuraram veículos da mídia impressa, em plena ditadura militar, obrigando-os a substituir matérias críticas ao sistema por receitas culinárias.

A tragédia da Cultura brasileira no Brasil de Bolsonaro começou já no primeiro dia do seu governo, 1º de janeiro de 2019, com a edição da Medida Provisória n.º 870 (posteriormente convertida na Lei nº 13.844, de 2019). Com a justificativa de realinhar a estrutura do Governo Federal, o presidente extinguiu o Ministério da Cultura e o transformou em Secretaria Especial do Ministério da Cidadania.

De lá para cá, foram quatro secretários: Henrique Pires, Ricardo Braga, Roberto Alvim (que deixou o posto acusado de fazer plágio do Nazismo) e a folclórica ex-namoradinha do Brasil Regina Duarte). O atual ocupante do posto, Mário Frias, um ator de terceiro escalão, não fez absolutamente nada de relevante para a pasta desde que assumiu o cargo, em junho do ano passado.

Fora as declarações desastrosas de gestores ligados à pasta, como o presidente da Fundação Palmares, Sérgio Camargo, que criticou o movimento negro, o que se viu de lá para cá foi um festival de horrores. Entre eles, a criação de mais barreiras para o patrocínio de atividades culturais pelas organizações públicas federais, como o Banco do Brasil, Caixa Econômica e Correios.

O governo editou ainda a Medida Provisória n.º 907/2019 (convertida na Lei n.º 14.002/19), que estabelece a não cobrança de direitos autorais no caso de hotéis e cabines de cruzeiros. Censurou claramente a Ancine (Agencia Nacional do Cinema). Fez o possível para que o Comitê Gestor do Fundo Setorial do Audiovisual não conseguisse liberar verbas para o setor.

O presidente da República e seus aliados também promoveram um ataque sistemático, pelas redes sociais oficiais e não oficiais, a artistas que se opuseram a estas barbaridades. E deram pouquíssimo apoio aos centenas de milhares de artistas prejudicados pela pandemia da covid-19 por meio da Lei Aldir Blanc, que mal saiu do papel na grande maioria dos 55 mil municípios brasileiros. 

Pior que isso foi a morte de dezenas de artistas vítimas da covid, em parte graças à irresponsabilidade deste governo, como Aldir Blanc, Nicette Bruno, Genival Lacerda, Paulinho (da banda roupa Nova), Eduardo Galvão e tantos outros. E, finalmente, o apoio de segmentos importantes da classe artística – dos quais Maurício Maestro é apenas um dos nomes ilustres – a Bolsonaro. Todos são cúmplices e co-responsáveis pela tragédia que a Cultura vive sob o governo do capitão.

Continuará vivendo, aliás, dado o fato de que o impeachment de Bolsonaro – mesmo com o crescimento da rejeição ao seu governo para 40%, segundo o Datafolha – ainda parece distante no horizonte. Que o futuro reserve dias melhores para o setor. Esperar pela derrubada do presidente da República até 2022 pode ser tarde demais para a já combalida cultura brasileira.

Foto: Marcello Casal Jr. / Agência Brasil

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