MP DENUNCIA DEPUTADO BOCA ABERTA POR CRIMES CONTRA A HONRA DE PROMOTORES

Foto: Michel Jesus / Agência Câmara

O Ministério Público do Paraná, por meio da 16ª Promotoria de Justiça de Londrina (região Norte), denunciou à Justiça o deputado federal Boca Aberta (PROS) por crimes contra a honra de um promotor e de uma promotora de Justiça. As informações são do Bem Paraná.

Segundo a denúncia, deputado teria divulgado por meio de grupos no aplicativo WhatsApp e de postagens no Facebook e no Twitter diversos áudios e vídeos com calúnias, injúrias e difamações relacionadas ao promotor de Justiça responsável por investigações que culminaram em ações civis públicas por ato de improbidade administrativa em face contra Boca Aberta; seu filho, deputado estadual Boca Aberta Júnior (PROS); e sua esposa, a vereadora de Londrina, Mara Boca Aberta. Segundo o MP, várias ofensas contra a honra também foram proferidas contra uma promotora de Justiça.

De acordo com a promotoria, indicando o cometimento de seis crimes de calúnia, 11 de difamação e sete de injúria, cujas penas privativas de liberdade são aplicadas em triplo quando cometidas pela internet, a denúncia a condenação do parlamentar às sanções previstas no Código Penal para esses crimes, além de indenização por danos morais.

Xingamentos – Na última quarta-feira, o deputado Boca Aberta xingou e ameaçou, no plenário da Câmara, o promotor do MP-PR, Renato Lima de Castro. O congressista o chamou de “maconheiro, vagabundo, meliante, bandido e marginal”.

Segurando uma placa com a foto de Castro, Boca Aberta se referiu a ele como um “bandido travestido de promotor”, que persegue sua família. “E justiça seja feita, desafio você, promotor maconheiro, desafio você, seu bandido, que foi pego fumando maconha no pé de manga na UEL (Universidade Estadual de Londrina), desafio você a me desmentir”.

O promotor que é coordenador do Gepatria (Grupo Especializado na Proteção ao Patrimônio Público e no Combate à Improbidade Administrativa), do MP-PR, é responsável por duas ações civis públicas contra o filho do congressista, Boca Aberta Junior, ajuizadas em 21 de maio.

Em uma das ações, Boca Aberta Junior é investigado por ato de improbidade administrativa. As investigações apontaram um possível esquema de “rachadinhas” para o pagamento de despesas pessoais, que beneficiariam também sua mãe, a vereadora Mara Boca Aberta, e o próprio deputado Boca Aberta. A prática da rachadinha ocorre quando o agente público recolhe parte ou até a totalidade do salário pago a assessores e funcionários contratados.

Outra ação aponta possível desvio de materiais esportivos que deveriam ser destinados a escolas estaduais de Londrina pelo deputado estadual, com auxílio de sua assessora parlamentar.

O deputado também insinuou que o promotor coagiria testemunhas durante depoimentos; “Sabe como é que ele arranca depoimento lá em Londrina? Ele chama a testemunha, coloca a .40 do lado”. “Me chama. Eu rasgo meu foro privilegiado. Foro privilegiado é para político bandido. Me chama. Põe a sua .40 do lado, eu ponho a minha 9 (mm) do outro, aí a gente mata um frango, compra uma Pitú, e vamos resenhar”, declarou o congressista.

“Eu desafio você. Honre a cueca que tu veste. Venha a público e desminta. Que o senhor tirou a promotora bêbada do local do acidente, toda cagada, mijada, e vomitada. E levou ela do local do crime e não deixou a imprensa sequer filmar. Ou ela assoprar um bafômetro. Desafio lançado”, disse o parlamentar.

Boca Aberta nega as acusações. “O único racha de salário que tem é com o povo. Eu sempre racho com o povo. Quando eu era vereador, eu rachava 80% do meu salário com o Hospital do Câncer. Como deputado, eu ajudo com cesta básica. O que a gente fazia era uma vaquinha no gabinete e quem quisesse contribuir, contribuía”, alegou.

A respeito das novas declarações realizadas pelo deputado federal no plenário da Câmara dos Deputados, a Procuradoria-Geral de Justiça e a Associação Paranaense do Ministério Público informam que adotarão todas as medidas judiciais e extrajudiciais cabíveis para responsabilização administrativa, civil e criminal do parlamentar, uma vez que suas manifestações representam grave ofensa à honra dos agentes ministeriais citados e atingem diretamente a sociedade e o próprio estado democrático de direito.

Do Bem Paraná.

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