GUEDES AFIRMA QUE FEZ SUA PARTE, ATRIBUI CRÍTICAS A NEGACIONISMO E DIZ QUE NÃO “PROMETE MAIS NADA”

GUEDES AFIRMA QUE FEZ SUA PARTE, ATRIBUI CRÍTICAS A NEGACIONISMO E DIZ QUE NÃO “PROMETE MAIS NADA”

Em coletiva de balanço de ações da sua pasta e de perspectivas para 2021, o ministro da Economia, Paulo Guedes, rebateu as críticas que têm recebido sobre não entregar tudo o que promete fazer. Ele ponderou que realmente não entregou tudo o que gostaria, mas argumentou que fez a sua parte, pois os projetos estão no Congresso. Ele atribuiu as críticas há uma “campanha negacionista, anticientífica” em curso. As informações são de Jéssica Sant’Ana, da Gazeta do Povo.

“Você entrega 20 coisas e diz que não entregou nada?”, questionou Guedes. “Estamos entregando sim. Há uma campanha negacionista, não científica [em curso]”, reclamou, chamando parte dos críticos de “militantes, negacionistas”. “Presidente Jair Bolsonaro só apanha. Dois anos de governo e nada de corrupção. Então, diz que o ministro dele, que é o apoio, não faz nada. Então provoca uma briga dele com outro ministro”, continuou.

O ministro disse que o trabalho da equipe econômica está sendo reconhecido pelo mercado e que os indicadores mostram isso. “Não entregamos tudo o que nós gostaríamos, mas há um reconhecimento do nosso trabalho. Nos mercados, a bolsa de valores mesmo está chegando aos 120 mil [pontos]. O risco Brasil está nos menores níveis em cinco anos. Os juros estão a 2%. A economia está retomando crescimento.”

Para o próximo ano, Guedes afirmou que não promete mais nada. “Agora acabou, não prometo mais nada. Espero que o Congresso aprove as nossas reformas, espero que a reforma administrativa que está lá prossiga, espero que a Câmara aprove o Banco Central independente, felicito o Senado por aprovar o gás natural e o BC independente”, ressaltou, dizendo que quando chegou em Brasília e conversava com a classe política, via um otimismo no andamento das pautas, por isso prometia aprová-las em poucas semanas. “Agora é assim, eu aprendi”, resumiu.

Ao longo da coletiva, Guedes reforçou que já cumpriu sua parte “no acordo”, entregando a maioria das reformas prometidas ao Congresso, mas reconheceu que “não entregou tudo o que gostaria”, mas culpou, principalmente, os políticos. “Eu sempre falei que quem dá o timing da reforma é a política.”

Ele atribuiu o não andamento de parte da agenda há disputa políticas. “Eu acredito que há uma disfuncionalidade no sistema hoje. Quem ganhou duas eleições seguidas [presidencial de 2018 e municipal de 2020] foi a centro-direita e quem comanda a pauta da Câmara é a centro-esquerda”, numa crítica ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). Ele diz que Maia tem um acordo com a esquerda para não pautar as privatizações e outras prioridades do governo.

Sobre as privatizações, reconheceu que o governo enfrentou dificuldades internas, com resistências de ministros, mas disse que esses impasses estão sendo resolvidos com conversas.

Guedes nega título de superministro
Sobre a alcunha de ser um “superministro”, Guedes negou o título e disse que é o ministro mais vulnerável da Esplanada e, como qualquer outro colega, é demissível em 5 minutos. Mas ressaltou que desfruta da confiança dos colegas e do presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

“Nunca me considerei superministro de nada e sou demissível em 5 minutos e todos os ministros podem brigar comigo”, afirmou. Ele falou que é como uma represa que quer gerar “energia, proteger os mais frágeis, descentralizar recursos”, mas que qualquer ministro pode querer fazer um “furinho”, numa analogia às tentativas de furar o teto de gastos. “Posso virar um Brumadinho se todo mundo fizer um furo”, completou.

Ele reforçou que, apesar de ser o mais frágil e transversal dos ministros, teve apoio dos seus colegas. “Eu desfrutei da colaboração e da confiança desses ministros, dos militares, do Tarcísio, da Tereza Cristina e do presidente em mim todo esse tempo.”

Foto: Edu Andrade/Ascom/ME

Da Gazeta do Povo

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