EM ENTREVISTA, RICARDO BARROS FALA DE CPI, MANIFESTAÇÕES, MARINGÁ E OUTROS TEMAS

Foto: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados

A história escrita pela política brasileira ganha capítulos novos e polêmicos a cada semana. Uma história que envolve diferentes posicionamentos, instituições e, claro, personagens. E entre esses nomes, está o do deputado federal Ricardo Barros (PP), atual líder do governo de Jair Bolsonaro (sem partido) na Câmara.

Com 30 anos de vida pública, sendo 20 deles na Câmara, o deputado, que é de Maringá, concedeu uma entrevista exclusiva ao GMC Online. Durante a conversa, Barros se defendeu das acusações feitas contra ele na CPI da Pandemia, que o inseriu na lista de investigados. O deputado também comentou sobre as manifestações de 7 de Setembro e sobre recursos viabilizados para todo o Estado.

Entre outros assuntos, o parlamentar ainda rebateu as críticas que recebe pelo fato de ter ocupado posições de destaque em diferentes governos – fez parte da base dos governos FHC, Lula e Dilma, além de ter ocupado o cargo de ministro da Saúde na gestão de Michel Temer.

Leia a entrevista na íntegra:

  • Qual a sua avaliação a respeito das manifestações favoráveis e contrárias ao governo, ocorridas no dia 7 de setembro?

O presidente Bolsonaro colocou muita gente na rua, muitas famílias. Foi uma manifestação pacífica, ordeira, organizada, demonstrando que de fato as suas bandeiras conservadoras têm muito apoiamento na sociedade. As manifestações contrárias foram pífias, realmente mostram que não têm adesão.

  • O senhor acredita que exista excesso por parte do presidente Jair Bolsonaro?

Olha, o presidente Bolsonaro é uma pessoa transparente, fala com absoluta clareza o que pensa, né? O Judiciário é que se excede quando decide questões que são atribuições de outros poderes, como nomeações do Executivo, como mandar abrir CPI. Isso é que está fora da expectativa da população e dos mandamentos da Constituição.

Foto: Alan Santos/PR
  • Qual a avaliação que faz dos bloqueios dos caminhoneiros em algumas rodovias brasileiras?

Os caminhoneiros vieram em apoio ao presidente Bolsonaro nessa sua mobilização contra o ativismo político do Judiciário e obviamente não gostaram do pronunciamento posterior do presidente do Supremo Tribunal Federal, o ministro Fux, que parece que não entendeu por que tantas pessoas foram as ruas, né? Mantendo suas posições de solidariedade ao ministro Alexandre Moraes, que vem realmente se excedendo no inquerido das Fake News. Então, alguns caminhoneiros se sentiram no direito de protestar contra a falta de sensibilidade do Supremo Tribunal Federal. As mobilizações foram feitas para que fosse entendida a contrariedade da população com a conduta atual do Poder Judiciário.

  • O senhor citou o ativismo político do Judiciário. O que é e qual a sua análise sobre esse assunto?

São decisões que o Judiciário toma com base em influenciar o ambiente político, em se aproveitar de uma oportunidade para se posicionar politicamente, que não tem nada com o jurídico. São posições adotadas com o objetivo de causar impacto na vida política e não simplesmente decidir de forma jurídica e isenta uma matéria que seja demandada ao Supremo (Tribunal Federal). Aliás, o Supremo deve arquivar todas as matérias que são prerrogativa exclusiva do Legislativo e do Executivo, mas, ele insiste em decidir coisas que não são da sua atribuição.

Foto: Michel Jesus/Câmara dos Deputados
  • Como o senhor vê a pauta que defende o voto impresso auditável?

Ah, (o voto impresso auditável busca) transparência nas eleições. É uma bandeira aderente. O presidente Bolsonaro defende mais transparência nas eleições e adotou a defesa do voto impresso como método de transmitir essa ideia. A Câmara dos Deputados criou uma Comissão Especial para votar essa matéria, tivemos maioria dos votos a favor do voto impresso, mas não os três quintos necessários para aprovar uma Emenda Constitucional. O TSE (Tribunal Superior Eleitoral) se posicionou contrário, abertamente, à regra do voto impresso. Então nós, lamentavelmente, não vimos o avanço da transparência das eleições. Agora, essa é uma bandeira aderente, todo mundo quer mais transparência nas eleições. Aí nesse caso, o TSE ficou na contramão com seu discurso de que isso não é necessário.

  • O senhor entrou na lista dos investigados da CPI da Pandemia. Como se defende das acusações de envolvimento nas negociações de vacina e de uma suposta interferência no Ministério da Saúde?

Eu já disse que não participei de nenhuma negociação da Covaxin, e todas as pessoas ouvidas pela CPI confirmaram que eu não participei. É apenas uma narrativa da CPI, do seu comando oposicionista ao governo. Eu sou líder do governo. Eles ficam repetindo uma matéria que não tem nenhum fundamento, não encontraram nenhum elemento que comprovasse qualquer envolvimento meu em negociação de vacinas.

  • Então, por que seu nome deputado foi envolvido na CPI? Há razões políticas para isso?

Meu nome foi envolvido porque os irmãos Miranda, quando foram ao presidente para falar de um eventual problema com a Precisa Medicamentos, que representava a vacina Covaxin, levaram a ele uma matéria de jornal onde a empresa Global, que vendeu medicamentos quando eu era ministro, não entregou. Estava lá uma matéria falando que há um processo na Justiça sobre esse episódio, lá do tempo que eu era ministro. E aí, como minha fotografia estava na matéria, o presidente perguntou aos irmãos Miranda se eu tinha envolvimento com a questão da Covaxin e eles responderam que não, que não sabiam. Por conta disso, criou-se a versão interessada a CPI de oposição, de que o líder do governo teria envolvimento, mas não se provou, ninguém confirmou essa versão e ela não se provará.

Foto: Jeffereson Rudy/Agência Senado
  • O senhor pretende ser ouvido novamente pela CPI?

Eu tive meu discurso, minha apresentação, interrompida porque eu estava provando documentalmente que a narrativa da CPI não se verificava. Tudo que eles falam lá não tem fundamento jurídico ou documental. Interromperam a minha fala porque estava sendo obviamente desgastante para os senadores que fazem oposição ao governo, ver toda sua história sendo documentalmente destruída. Suspenderam a minha fala e obviamente não querem me ouvir mais porque sabem que eu vou lá e destruo a narrativa deles. Não tem irregularidade na compra de vacinas do governo Bolsonaro.

  • Qual o impacto da CPI da Pandemia em sua carreira política?

Muito positivo, neste momento. Inicialmente, me impuseram um desgaste, mas depois da minha ida a CPI, isso se tornou um grande ativo político. Todas as pessoas que eu encontro elogiam a minha postura na CPI e me parabenizam por ter enfrentado aqueles senadores que ficam lá contando histórias e não provam nada. Então, hoje eu posso dizer que o balanço é muito positivo, de terem me atacado e não terem conseguido provar, e eu, quando fui à CPI, do ponto de vista político, imprimi uma grande derrota à CPI e uma grande vitória ao governo. Virou um capital político para mim.

  • O senhor acredita que a CPI, da forma que está sendo conduzida, trará algum esclarecimento importante?

Nenhum. Eles já estão falando que vão indiciar o presidente por charlatanismo e curandeirismo, ou seja, eles querem incriminar o presidente por ter distribuído Cloroquina, que foi distribuída, inicialmente, por recomendação da Organização Mundial de Saúde. Então, é uma coisa absolutamente sem fundamento, mas é o que restou para eles, já que não conseguiram comprovar nem corrupção, nem desvio de conduta de ninguém do governo em toda a investigação feita pela CPI.

Foto: Pedro França/Agência Senado
  • Na avaliação do senhor, diante de tudo que está ocorrendo na política, há pautas do Congresso que estão ficando à margem e deveriam ser priorizadas. Se sim, quais?

Câmara dos Deputados tem votado tudo. Votamos Imposto de Renda, vamos votar Reforma Administrativa. Agora, o Senado está com a cabotagem lá desde o ano passado e não votou. Licenciamento ambiental, regularização fundiária e várias outras matérias relevantes, alteração da lei de improbidade… estão lá aguardando. Eu espero que o Senado se organize e responda à sociedade brasileira sobre essas importantes questões.

  • Há críticas pelo fato de o deputado adotar uma postura pragmática e ter ocupado posições de destaque em todos os Governos nas últimas três décadas. Como o senhor avalia isso?

O Progressistas, que é o meu partido, é um partido que não disputa o poder. Ele participa das eleições, apoia eventualmente algum candidato, mas respeita o resultado das urnas. O presidente Bolsonaro, por exemplo, se elegeu com 10% dos deputados do seu partido: 52. E outros presidentes também se elegeram com pouca representação na Câmara e no Senado. E precisam formar uma coalisão de governo, uma aliança partidária para ter maioria e poder implementar as medidas que prometeram na campanha, que propuseram à população e que foram aceitas através dos votos. E nós damos apoio, damos base, governabilidade a quem se elege. Então, em todos os governos, os Progressistas ajudam o governante a cumprir os seus compromissos de campanha e por conta disso participam ou no governo, ou na articulação política do governo, como eu participei todos os anos.

  • Maringá é reconhecida nacionalmente como uma das melhores cidades do País para se viver. Qual o maior desafio para desenvolver a cidade, mantendo a geração de empregos e a qualidade de vida?

É seguir o Masterplan, um planejamento que foi feito e que pensa a Maringá 2047, a vocação da cidade estabelecida no polo de medicamentos na logística de infraestrutura aeroportuária, no polo logístico que nós estamos consolidando também. No polo de ensino superior, naquelas coisas em que a cidade tem vocação. São 25 mil empregos na área de confecções e um bom polo de tecnologia desenvolvida aqui com muitos empregos e faturamento bilionário. Então, a cidade precisa se manter com qualidade de vida, se manter planejada como sempre foi, e seguir as orientações do Conselho de Desenvolvimento Econômico. Cada prefeito tem as suas características, tem as suas propostas, mas não pode abandonar os eixos de desenvolvimento que foram escolhidos pela população.

  • A vinda de Bolsonaro a Maringá está confirmada para o começo do próximo mês? Se sim, tem algum detalhe?

Ele vem para inaugurar a obra de ampliação do aeroporto, da estruturação do nosso aeroporto para receber voos de cargas. É uma obra importante. Foram R$ 88 milhões de investimento, mais os recursos do ELS, mais os recursos da modernização da torre, portanto, mais de R$ 100 milhões de investimento. O presidente, na sua comemoração dos mil dias de governo, virá a Maringá para inaugurar obras em Maringá, em outras cidades do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Então, a região Sul vai estar com obras sendo inauguradas, a partir de Maringá. Eu não tenho ainda o tempo de permanência do presidente, mas assim que tiver, nós definiremos a programação.

Foto: Reprodução/Instagram/Ricardo Barros
  • Como líder do governo, quais os maiores benefícios que trouxe e quais ainda trará para o Paraná?

Eu tenho feito o meu trabalho no sentido de que o governo possa ter condições de fazer uma solução para os problemas de todos os estados brasileiros. Aqui no Paraná, nós temos R$ 1,2 bilhão em obras que Itaipu assumiu junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura, e está construindo Estrada Boiadeira, a BR-163, ligando Cascavel a Marmelândia, ligando Cascavel a Francisco Beltrão, a terceira ponte para o Paraguai, Rodovia das Cataratas e tantas outras obras que o Governo Federal está executando aqui com os recursos de Itaipu. Aqui em Maringá, a ampliação do aeroporto, o Contorno Sul Metropolitano, que logo será republicada a sua licitação, o Hospital da Criança, o Hospital da Mulher… Aqui, será construído o Centro de Eventos Oscar Niemeyer, com recursos que eu aloquei para marcar a passagem de Niemeyer na nossa cidade. Então, são muitos recursos que estão sendo efetivados e não só aqui, mas em muitas outras áreas do estado do Paraná, com a presença marcante do Governo Federal.

  • Existe algum sonho em sua carreira política ainda não realizado?

Eu estou muito satisfeito com a minha passagem pela vida pública. Primeiro porque eu gosto muito do que eu faço, aprendi com o meu pai a servir a comunidade. A dedicar o meu tempo para resolver o problema daqueles que sozinhos não conseguem resolver os seus problemas. Fui um prefeito muito inovador, fiz um mandato marcante aqui na cidade, e nos meus seis mandatos como deputado ocupei posições importantes. Fui ministro da Saúde, maior orçamento da Explanada dos Ministérios. Fiz também uma administração revolucionária, quando secretário do Estado criei o Programa Paraná Competitivo. Então eu me dou por satisfeito com a minha trajetória e enquanto eu tiver a confiança da população, seguirei servindo a comunidade.

Do GMC Online

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