BOULOS ASSUME PROTAGONISMO DA NOVA ESQUERDA BRASILEIRA

BOULOS ASSUME PROTAGONISMO DA NOVA ESQUERDA BRASILEIRA

Muito mais que definir os nomes dos prefeitos e vereadores que exercerão seus mandatos pelos próximos quatro anos, as eleições de 2020 indicaram as lideranças que – derrotadas nas urnas ou não – exercerão papel importante no pleito de 2022, seja como candidatas, como formadoras de opinião ou como articuladoras de alianças importantes dentro dos seus respectivos espectros político-ideológicos.

Não há dúvida nenhuma de que, entre os derrotados nas urnas neste domingo, o mais importante é Guilherme Boulos (PSOL). Sua surpreendente ida ao segundo turno e a votação extraordinária na etapa final da disputa pela Prefeitura de São Paulo o alçam, de imediato, ao status de liderança mais importante no campo da nova esquerda brasileira (distante do lulopetismo, do brizolismo que norteia o PDT e do PCdoB), por pelo menos três motivos.

Primeiro, naturalmente, pelo peso do colégio eleitoral de São Paulo, que tem 6% do total de 150 milhões de votantes do Brasil. Segundo, pela capacidade de articulação política de Boulos, que teve o mérito de agregar diversas correntes de centro-esquerda e de vencer o candidato da esquerda na disputa: Jilmar Tatto, do PT. Não é pouca coisa, considerando-se que o partido já ocupou a prefeitura da cidade 3 vezes.

Mas há um terceiro motivo que torna o peso político da agora principal liderança nacional do PSOL mais significativo. Boulos revelou muita competência e clareza ao desmentir as dezenas de fake news veiculadas contra ele e, ao mesmo tempo, quebrou parte significativa da resistência que havia ao seu nome e ao partido – sobretudo à pecha de baderneiros e invasores que os integrantes do movimento liderado pelo candidato – o MTST (Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto) – sempre tiveram. 

Considerando-se que parte do que acontece em São Paulo reverbera no País devido ao peso da cidade na geopolítica nacional, isso é extremamente importante. Boulos, de direito e de fato, já é muito maior que o PSOL. E não há dúvida nenhuma de que, caso o enorme desgaste imposto à Lava Jato e ao PT persistam em 2022, o líder do MTST poderá ameaçar as posições de Ciro Gomes (PDT) e de Fernando Haddad (PT) na sucessão presidencial.

Em favor dele, pesam: 1) Sua juventude, 2) Sua qualificação teórica e enorme capacidade de comunicação, 3) O uso muito eficiente das redes sociais, 4) Um discurso mais moderado, que lembra muito o de Luiz Inácio Lula da Silva na sua vitoriosa campanha presidencial de 2002 e 5) O apoio significativo de importantes setores da classe média mais esclarecida, que é formadora de opinião.

Guilherme Boulos é, assim o vitorioso “virtual” destas eleições, ainda que o desempenho do seu partido não tenha sido dos melhores. Consolida-se como a liderança nacional mais expressiva dos últimos anos, no campo da esquerda. E traz a possibilidade de renovação que este espectro ideológico precisa. Uma boa nova para uma corrente que, com o Bolsonarismo, havia sido enfraquecia em 2018. Para o bem da democracia, melhor que seja assim.

Foto: Filipe Araújo / Fotos Públicas

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