2021: O ANO MAIS DECISIVO PARA BOLSONARO

2021: O ANO MAIS DECISIVO PARA BOLSONARO

Surfando na onda do populismo de extrema direita, com o apoio de 1/3% da população brasileira, o presidente Jair Bolsonaro terá em 2021 o maior desafio da sua gestão: manter sua popularidade em alta, mesmo sem o pagamento do auxílio emergencial e com a grave crise econômica que assola o país.

Não será tarefa nada fácil. Primeiro, porque o desemprego atingiu o recorde de 14,6% entre os trabalhadores com carteira assinada no terceiro trimestre do ano – o pior resultado durante os 12 anos da série histórica da Pnad/IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). São 14 milhões de pessoas sem trabalho.

Somados aos cerca de 40 milhões de trabalhadores informais (segundo o IBGE), chegam a 54 milhões os cidadãos que não atuam no mercado ou atuam em condições precárias, recebendo praticamente 100% de cobertura dos serviços de saúde, educação e assistência social exclusivamente do Estado.

Segundo, porque – a partir de janeiro – o Governo Federal não pagará mais o auxílio emergencial que estava sendo garantido às pessoas que foram vítimas da pandemia da covid-19. Com a redução do auxílio de R$ 600 para R$ 300 por mês, 67 milhões de brasileiros deixarão de injetar a fortuna de R$ 254,2 bilhões na economia.

Isto certamente prejudicará especialmente os pequenos e médios comerciantes e empresários, que são 99% de todas as empresas brasileiras. Para que se tenha uma idéia da dimensão do setor, segundo Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa) as MPEs respondem por 52% dos empregos com carteira assinada na área privada (16,1 milhões).

Por causa do impacto da redução da atividade econômica, economistas experientes estimam que o desemprego poderá subir para 17% em 2021, posicionando o Brasil como a segunda maior taxa de desemprego entre os países do BRICS, atrás apenas da África do Sul, que ostenta inacreditáveis 35,31%.

Com tantos números trágicos, é natural que Jair Bolsonaro tenha sérias dificuldades para manter sua popularidade, o que pode comprometer seu projeto de se reeleger presidente da República, em 2022.  Daí porque 2021 será o ano mais desafiador para o ocupante do Palácio Iguaçu, até porque em 2022, sem recursos suficientes e limitado pelas restrições impostas aos governantes no que diz respeito a obras e convênios, Bolsonaro terá apenas até abril para mostrar o poder de fogo de sua caneta. Pouco tempo para quem enfrenta a maior crise econômica e social do Brasil dos últimos 50 anos.

Considerando o desastre que tem sido o governo Bolsonaro no combate à pandemia, apesar da sua popularidade, é até possível que o presidente da República consiga se reeleger, mas certamente não sem sofrer uma duríssima batalha contra seus adversários mais fortes – como João Dória (PSDB), Ciro Gomes (PDT) ou Fernando Haddad (PT) ou eventuais aventureiros, como Luciano Huck e Sérgio Moro (sem partido). A ver.

Foto: Alan Santos / PR

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