UMA PANDEMIA DE DESTRUIÇÃO E DE MORTE AMEAÇA A NATUREZA

UMA PANDEMIA DE DESTRUIÇÃO E DE MORTE AMEAÇA A NATUREZA

A sucessão de tragédias humanas gerada pela pandemia da Covid-19 rebaixou a segundo plano o cenário de enorme destruição da natureza –  especialmente da Floresta Amazônica – causado pela criminosa atuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Um fato gravíssimo ocorrido ao longo da semana, porém, tente a recolocar as questões ambientais com destaque no noticiário.

Trata-se da decisão de 38 empresários pesos-pesados brasileiros de cobrar duramente do ministro uma política de proteção da natureza mais efetiva. Não é pouca coisa. Falamos de executivos profundamente conservadores, apoiadores de primeira hora de Bolsonaro. Entre eles, grupos de fazendeiros beneficiados com as queimadas que eles mesmos produziram e incentivaram, na Amazônia, sob as vistas grossas do ministro.

Naturalmente, esta posição está ancorada não em princípios conservacionistas, mas na ambição. Esta gente torpe que apoiou Bolsonaro e Salles começa a encarar agora, por bruta pressão do mercado externo, amargos prejuízos causados por sua irresponsabilidade e descaso com o meio ambiente.

O mercado externo tem nome e endereço: os grandes players dos setores atacadista e varejista da Comunidade Européia. São os mesmos empresários que criticaram duramente as queimadas na Amazônia, no segundo semestre do ano passado. Estes executivos já estão boicotando a carne e os grãos (e seus derivados) produzidos em áreas devastadas da natureza, em território brasileiro.   

Não se trata de um mimo de ecologistas executivos nerds. É questão de sobrevivência. A floresta vale mais em pé que no chão. Sua morte significa também a morte da espécie humana. Um conceito já banalizado na Europa, especialmente em países que adotam uma legislação ambiental rigorosa e conservacionista, como a Alemanha, mas ainda incipiente no Brasil por conta da extraordinária ignorância e canalhice que domina a agenda ambiental do Governo Federal, em conluio com o que existe de mais atrasado no empresariado brasileiro.

Natural que a pressão recaia sobre os ombros de Ricardo Salles. Em apenas 1,5 ano de governo, Salles (que foi expulso do Partido Novo) conseguiu a proeza de ser considerado o pior ministro do Meio Ambiente desde que a pasta foi criada, em março de 1995, durante o governo do ex-presidente José Sarney.

Sua incompetência e irresponsabilidade são tão gritantes que Salles está levando a devastação ocorrida na Amazônia brasileira desde que assumiu o posto, em janeiro de 2019, a níveis simplesmente inacreditáveis. Em nada menos que 14 dos seus 18 meses de mandato, o Inpe (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), constatou sucessivos recordes de devastação –  1.000km apenas em junho, segundo o órgão, de acordo com reportagem veiculada no último dia 11 pelo portal UOL. 

O portal Brasil de Fato traz outro número aterrador. Em abril, um dos meses com maior destruição, a devastação na Amazônia foi a maior dos últimos 10 anos e superou o número do mesmo mês de 2019 em 171%. Nunca se viu dados tão contundentes no cenário de agressão ao meio ambiente desde que os institutos de pesquisa e os órgãos de proteção e defesa da natureza começaram a compilar estes números.

Diante deste cenário, a permanência de Ricardo Salles no posto é cada vez mais difícil. Mas sua saída não resolverá o problema da péssima imagem construída pelo Brasil no Exterior em relação ao meio ambiente. Para mudar este conceito, se é que isso ainda é possível diante de tudo o que houve e do fato de que a devastação da floresta é irreversível, Bolsonaro precisará rever urgentemente sua política ambiental.

Caso contrário, alimentará uma rejeição brutal junto a um setor fortíssimo e absolutamente estratégico para alimentar seus planos de ser reconduzido à Presidência da República em 2020. A empáfia do presidente da República, de Salles e dos seus ministros ideológicos em relação às críticas que receberam por conta de suas políticas ambientais desastrosas está perto do fim. Ou o presidente muda, ou pavimentará o caminho rumo ao seu impeachment.

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