SECRETÁRIO DIZ QUE FALTA DE ISOLAMENTO IMPEDIU REABERTURA DE ESCOLAS E “DOBROU” MORTES

SECRETÁRIO DIZ QUE FALTA DE ISOLAMENTO IMPEDIU REABERTURA DE ESCOLAS E “DOBROU” MORTES

“Tudo em relação ao coronavírus se trata de ação e reação”. O secretário de Estado da Saúde, Beto Preto, disse que a retomada do crescimento dos números de novos casos e óbitos por Covid-19 não surpreende. Foram 70 mortes nesta sexta-feira. Para ele, a reabertura de praticamente todas as atividades econômicas sem restrições e, principalmente, a diminuição do isolamento domiciliar e a ocorrência de aglomerações mantêm instável a curva do coronavírus no estado. O secretário disse ainda que o número atual de óbitos no estado (3.741) é superior ao dobro projeto pela pasta se os índices de isolamento fossem mantidos acima de 50%. As informações são de Roger Pereira, da Gazeta do Povo.

“Se tivéssemos mantido o índice de isolamento em 55%, como estávamos em abril, a projeção era que agora estaríamos com 1.500 óbitos; mas passamos dos 3.700. Estaríamos com metade dos casos que temos hoje e, assim já poderíamos estar falando em abrir as escolas”, comenta. “Mas só conseguimos isso em abril. Hoje, esse índice está em 37%. Mesmo durante o decreto da quarentena restritiva, só chegamos a 42%”, lamenta.

Para o secretário, o distanciamento social segue sendo o único instrumento para conter a transmissão do vírus. “Tivemos o dias dos pais, com grandes movimentações, com reuniões familiares e, depois os números cresceram. Tivemos o reflexo, depois daqueles dias de intenso frio de agosto. Em algumas semanas, veremos o resultado do último feriadão. Tivemos todas as praias, marítimas e fluviais, do estado lotadas. E isso vai cobrar seu preço em algum momento”, prevê.

“Estamos chegando a seis meses de pandemia no estado e já deveríamos estar baixando os números, mas isso está demorando para acontecer, porque praticamente todas as atividades já foram retomadas e as pessoas não estão mais deixando de seguir suas vidas normais. Pedimos, agora, para que quem tem autonomia de fazer escolha, que fique, em casa. Mas muitas não têm essa escolha, e precisam trabalhar. Então insistimos em todos os cuidados possíveis para os deslocamentos, e o cuidado dentro do trabalho”, acrescentou.

O secretário afirma que muitas flexibilizações foram feitas em momentos equivocados, quando o momento, em sua visão, ainda exigia algumas medidas restritivas. “De toda ordem, clusters não fecharam, atividade econômica industrial não fechou, conseguimos domar os surtos. E a questão do comércio, não vejo como principal vilã. O que repudio são as aglomerações, feitas por grupos de pessoas que não estão respeitando a saúde do próximo, a de quem precisa trabalhar, a de quem está na linha de frente”, critica.

Enquanto o estado registrou 70 óbitos nesta sexta-feira (12/09), Curitiba teve nove mortes confirmadas, mantendo o decréscimo da média móvel de mortes na capital, o que mostra, reconhece Beto Preto, que a doença está mais distribuída no Paraná. “A macrorregião Leste ainda é a que tem a maior presença do vírus, mas não mais necessariamente em Curitiba. Estamos vendo uma remissão dos casos na capital”, disse.

O secretário ainda comentou a situação de Londrina e Toledo, que voltaram a adotar medidas mais restritivas após novo avanço da doença. “As duas cidades foram abrangidas no decreto da quarentena restritiva e tiveram dificuldade para implementá-la. Isso fez falta depois e está refletindo agora. Estamos acompanhando de perto e auxiliaremos os municípios caso seja necessário tomar novas medidas”, lembra.

Questionado se o estado já prepara alguma nova ação por causa do novo crescimento, Beto Preto diz que nenhuma decisão está descartada, mas não adianta os próximos passos. “Os leitos seguirão abertos, embora acreditássemos que, neste momento, já estaríamos registrando baixa nos números, que permitiria a desabilitação de alguns leitos. Seguimos com a política de testagem, sendo o segundo estado que mais testa no Brasil, e estamos ampliando a coleta de sangue de pessoas que já tiveram a doença para intensificar o tratamento com plasma convalescente”, diz. “Já passamos pela fase da falta de leitos, da falta de médicos, da falta de medicamentos, estamos controlando bem isso. O principal, agora, é o apelo à opinião pública para que se mantenha o distanciamento social, se evite aglomerações. Seguimos fazendo nossa função de orientar, embora alguns achem que estamos atrapalhando a economia”, conclui.

Foto: Gilson Abreu / AEN

Da Gazeta do Povo

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