RECURSOS DO GOVERNO FEDERAL CHEGAM PARA APENAS 1% DAS EMPRESAS PARANAENSES

RECURSOS DO GOVERNO FEDERAL CHEGAM PARA APENAS 1% DAS EMPRESAS PARANAENSES

Para ajudar a conter as perdas da pandemia do novo coronavírus e socorrer as empresas, o Governo Federal anunciou novas linhas de crédito. Entre elas, o Programa de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) em 16 de junho. Mas os recursos já estão praticamente esgotados e mal conseguiram atender a real demanda no Paraná. As informações são do Bem Paraná.

Segundo dados do Banco do Brasil, gestor do fundo, até a quarta-feira (15/07), cerca de 168 mil e 500 empresas do país haviam concretizado os empréstimos do Pronampe, contratando o equivalente a R$ 14,3 bilhões. No Paraná, foram 14 mil e 500 beneficiadas, num total de R$ 1,23 bilhão emprestado.

O Paraná tem aproximadamente 1,5 milhão de empresas, sendo 1,35 milhão de micro e pequenas empresas, conforme dados do Sebrae/PR. Ou seja, apenas pouco mais de 1% destas empresas conseguiram acessar o crédito do Pronampe.

O Paraná foi o terceiro estado do País que mais tomou dinheiro pelo programa, superado apenas por São Paulo (43 mil e R$ 3,95 bilhões) e Minas Gerais (21 mil e R$1,77 bilhão), respectivamente.
Além de Caixa e Banco do Brasil, que já haviam anunciado que os empréstimos do Pronampe haviam acabado na semana passada, o Itaú também informou nesta semana que já utilizou todo o limite destinado ao socorro de pequenos negócios.

Do total de R$ 15,9 bilhões liberados pelo Governo Federal, cerca de R$ 13 bilhões, ou 82%, foram geridos por Caixa, Banco do Brasil e Itaú. O restante foi destinado a outras instituições financeiras que já estão anunciando o fim dos recursos.

Barato
A linha de crédito do Pronampe tem a taxa de juros anual equivalente à Selic mais 1,25% ao ano, aproximadamente 0,30% ao mês. O prazo de pagamento é de até três anos (36 meses) e há um período de carência de oito meses para início do pagamento do financiamento.

Além da necessidade urgente em função da crise, a grande procura se justifica em virtude de taxas mais atrativas e melhores condições de pagamento em relação ao praticado no mercado.

“O que ficou claro em função da velocidade com que os recursos se esgotaram nos bancos é que há uma grande demanda por crédito em boas condições como essa. Agora a expectativa é de que, diante dessa situação, o Governo libere novos recursos para este contingente que não foi atendido”, avalia o especialista em crédito da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Baptista Guimarães.

“Também é importante lembrar que as micro e pequenas empresas que solicitarem essa linha de crédito precisam manter o atual quadro de funcionários por até 60 dias após receberem a parcela do financiamento”, reforça.

Para os micro e pequenos empreendedores que ainda não conseguiram acesso ao crédito do programa neste primeiro momento, o especialista recomenda estar atento, com toda a documentação contábil da empresa em ordem, e acompanhar as notícias. Há uma expectativa de que nos próximos dias o Governo Federal deve liberar mais recursos para o Pronampe.

Conheça as dez áreas que concentram mais MEIs no País
Com a pandemia do novo coronavírus e a crise econômica, muitos trabalhadores que perderam o emprego migraram para as micro e pequenas empresas. Com isso, o número de cadastros de Microempreendedores no Portal do Governo Federal cresceu. Dentre essas pessoas que agora são MEI, profissões da área da beleza como cabeleireiros, pedicures e manicures são as que mais possuem registros.

Isso acontece uma vez que esses serviços, geralmente, estão ligados a empregos informais. Para sanar isso em 2017, foi criada a Lei do Salão Parceiro, para que fosse possível começar a contratar profissionais como parceiros, sem assinar Carteira de Trabalho, celebrando contrato de parceria.

Segundo Alexandre de Carvalho, fundador do Easymei, plataforma recém lançada de auxílio e gestão para microempreendedores, este aumento se deve não só às altas taxas de desemprego, mas também à preocupação das pessoas em regularizar suas funções para sair da informalidade e buscar novas formas de renda para contornar a crise.

Hoje o Brasil conta com mais de 10 milhões cadastros. Se levarmos em consideração apenas as 10 profissões que mais possuem registro, elas já somam 36%, ou seja, mais de 3 milhões de pessoas.

Após a área da beleza, que representa 7,7%, temos comércio varejista de roupas e acessórios, obras de alvenaria e promoção de vendas, que representam 7,3%, 4,4% e 3,3%, respectivamente. “Esses são setores que mesmo com a crise continuam movimentados”, comenta.

A lista das 10 áreas com maior registro de MEIs no Brasil

  • Profissionais da área de beleza: 7,7% (dos registros)
  • Comércio varejista de roupas e acessórios: 7,3%
  • Profissionais de Obras de alvenaria: 4,4%
  • Promoção de vendas: 3,3%
  • Lanchonetes, casas de chá, sucos e similares: 2,6%
  • Fornecimento de alimentos preponderantemente para consumo domiciliar: 2,6%
  • Minimercados, armazéns ou mercearias: 2,3%
  • Atividades de estética e cuidados com a beleza: 2,1%
  • Instalação e manutenção elétrica: 1,9%
  • Serviços ambulantes de alimentação: 1,9%

Desemprego

Na indústria, situação não é diferente
No setor industrial não é diferente. O último levantamento do Ministério da Economia confirma que a crise acelerou as demissões no Paraná. De janeiro a maio, a indústria de transformação acumula saldo de -8.333 vagas. Setores como vestuário, moveleiro e automotivo são o que registram as maiores reduções de postos de trabalho. De acordo com o especialista em crédito da Federação das Indústrias do Paraná (Fiep), João Baptista Guimarães, neste momento há uma necessidade maior de crédito para capital de giro. “As empresas precisam de fôlego financeiro para sobreviver até que a situação no Brasil se normalize. Muitos pedidos são para pagamento de salários e de despesas básicas”, informa.

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