QUESTÃO: A HUMANIDADE ESTÁ UNIDA COM UM ÚNICO OBJETIVO? RESPOSTA: ‘PARCIALMENTE’

QUESTÃO: A HUMANIDADE ESTÁ UNIDA COM UM ÚNICO OBJETIVO? RESPOSTA: ‘PARCIALMENTE’

HIPOCRISIA

Por Cristina Romanniuk Fontanelli

          Em quase seis décadas de vida, estou presenciando pela primeira vez uma “pandemia”, ou, epidemia amplamente disseminada – Coronavírus (convid-19).

            É assustador, o mundo mudou, as pessoas mudaram; corridas em supermercados, tumultuo em farmácias, neurose generalizada atrás de produtos que possam imunizar, campanhas mundiais implorando para que as pessoas não saiam de suas casas, higienizem suas mãos diversas vezes ao dia, mantenham-se agasalhadas, tenham uma excelente alimentação para não correrem o risco baixarem sua imunidade. Ah, ainda tem várias dicas disponíveis como sugestões de filmes, séries, livros, cursos “online”… Tudo para afastar o tédio pelo fato de não poder sair de casa. Também, como não pode faltar, jogo de forças entre políticos.

            Muito bom, demonstra-se que a humanidade está unida com um único objetivo, derrotar o inimigo.

            Certo?

            Parcialmente, sim.

            Ontem, contrariando as diversas recomendações, fui dar uma volta de bicicleta e tive a tristeza de sentir e ver com meus próprios olhos que a resposta é PARCIALMENTE.

            Percorri 20 km, pouco não é?

            Mas o suficiente para enxergar a parcela de nossos irmãos, moradores de rua, sim, irmãos porque são seres humanos que sentem, sofrem, choram, igualzinho a parcela privilegiada da sociedade.

            Muitos seres humanos, com suas famílias, abrigados debaixo de pontes, sujos, esfomeados, sem um mínimo de dignidade. Eles não têm casa para se isolar, não têm alimentos para se manterem saudáveis, nem remédios, tampouco água e sabão para se higienizarem. A pandemia para eles, da mesma forma que a esperança de uma condição de vida minimamente decente, passa à margem.

            É muito triste constatar e concluir que nada está sendo feito, pelo menos no momento atual que é de união, desapego, medo, solidariedade e, principalmente, a certeza que o futuro, é incerto pois riquezas acumuladas não puderam conter a fúria de um inimigo silencioso e mortal.

            Retornei para casa muito triste até porque, faço parte da massa hipócrita que se protege, se alimenta, se recolhe em quarentena e finge que estes seres humanos que sofrem, choram… não existem. O pior sentimento é que, em cada olhar que cruzei, senti que eles ainda nutrem a esperança de um mundo melhor.

Foto: Aniele Nascimento / Gazeta do Povo

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