PRESSIONADA NA CÂMARA, MÁRCIA HUÇULAK DESABAFA: ‘EU NÃO QUERIA ESTAR AQUI’

PRESSIONADA NA CÂMARA, MÁRCIA HUÇULAK DESABAFA: ‘EU NÃO QUERIA ESTAR AQUI’

Criticada pelos vereadores por causa das medidas de restrição ao funcionamento do comércio de Curitiba na tentativa de conter a nova onda da Covid-19 na capital paranaense, a secretária municipal de Saúde, Márcia Huçulak desabafou: “eu não queria estar aqui”. A declaração foi dada em resposta a questionamentos dos vereadores Nori Seto (PSL) e Alexandre Leprevost (SD) sobre restrições ao funcionamento de casas de festas infantis, supermercados e deliverys de bares e restaurantes. As informações são do Bem Paraná.

Leprevost foi o mais incisivo, questionando os critérios técnicos das medidas, e afirmando que a redução de horário de funcionamento de mercados e deliverys provoca mais aglomerações e acidentes de trânsito. “Primeiro vocês precisam parar de acusar a população e os empresários. É muito claro a falta de critério para as atitudes tomadas referentes aos decretos”, disse.

O vereador lembrou que o delivery já esteve limitado até às 20 horas e depois foi estendido até às 23 horas pela própria prefeitura durante a bandeira vermelha. “A limitação hoje às 21 horas não tem sentido. Com essa limitação os acidentes podem aumentar devido a pressa dos motoqueiros de cumprir o horário”, alegou. Segundo ele, a redução do horário de funcionamento de mercados, proibidos de abrirem aos finais de semana, também provoca aglomerações.

“Secretária qual é a parte que a senhora não atendeu. Qual é o critério utilizado para definir as limitações de cada segmento? Quem faz parte desse comitê? Quem fiscaliza a lotação máxima do transporte coletivo. Os motoristas, que segundo as pesquisas, são as maiores vítimas de Covid?”, perguntou.

Visivelmente emocianada e contrariada, a secretária respondeu: “Infelizmente eu não gostaria de estar onde estou. Eu gostaria de sair. Eu não posso. O meu desejo hoje é não estar aqui. Estou sendo agredida. Entendo a colocação do vereador Alexandre, mas está muito difícil. Para mim, pessoalmente. Eu sou uma profissional que tenho 35 anos de vida (no serviço público). E não queria estar aqui. Eu queria estar muito longe daqui. Bem longe. Em nenhum momento eu desejei isso. Em nenhum momento eu tenho prazer”, desabafou.

“Nosso comitê passa horas discutindo. O comitê está publicado. O senhor entre na nossa página tem uma lista. São profissionais renomados, da carreira. Toda a nossa equipe de comando da secretaria. Nós temos um grupo de infectologistas que nos apoiam”, explicou Huçulak.

A secretária também desafiou os vereadores a ouvirem entidades e profissionais da saúde que estão na linha de frente do combate à pandemia. “Eu sugiro que a Câmara faça uma audiência pública que ouça o outro lado que não o comércio também. Chame os diretores dos hospitais, os infectologistas, faça um grande debate. Nós fazemos isso diariamente. Chame o presidente da Federação dos Hospitais do Paraná, o presidente da Unimed, que essa semana me pediu lockdown todos os dias, dr Rached. Chame o p4residente do CRM, do Coren. É essas entidades que nós ouvimos”, apontou.

Huçulak lamentou ainda os prejuízos que as medidas trazem à economia da cidade. “Eu lamento muito as perdas econômicas. Isso me doi no coração. Mas enquanto eu for responsável por essa Pasta, o meu principal objetivo, da nossa equipe, é proteger a vida sim”, afirmou.

Foto: Carlos Costa/CMC

Do Bem Paraná

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