PESQUISA ELEITORAL E PREVISÃO DO TEMPO

Ontem, 03/10, o apresentador do jornal das 19:30 na TV, iniciou o noticiário dizendo “a chuva prevista para hoje não veio, depois dos comerciais vamos explicar os motivos e informar como fica o tempo para amanhã”.

Fonte Gazeta do Povo

Por que até hoje, com toda evolução tecnológica, ainda é difícil prever com precisão o comportamento do clima?

Após os comerciais o apresentador relatou as explicações técnicas dos meteorologistas, “uma massa de ar quente sobre o Estado impediu que as nuvens de chuva chegassem a região com a velocidade prevista, então as chuvas devem chegar a Curitiba no domingo”. Falou tudo isso com um tom de pedido de desculpas, mas se eximindo da responsabilidade, atribuindo o erro aos especialistas.

Imediatamente lembrei das inúmeras vezes em que os veículos de comunicação apresentam os resultados de pesquisas eleitorais como expressão de um processo mágico de adivinhação. Disputando qual o veículo apresenta a pesquisa mais precisa.

Quando acertam explodem em alegria como se fossem donos da melhor bola de cristal.

Quando, na abertura das urnas, os resultados se afastam de suas previsões, colocam os institutos de pesquisa nas cordas (expressão do boxe) para que se justifiquem porque erraram.

O que podemos relacionar entre as Previsões meteorológicas e as Pesquisas de Opinião?

Tanto uma quanto a outra estão fundamentadas em bases científicas, e ao longo das últimas décadas se beneficiaram dos avanços tecnológicos. Atualmente estão capacitados para atingir um grau de acerto plenamente aceitáveis para o que se propõem.  

Porém, em função da forma como os números foram divulgados ao longo do tempo, acabaram criando uma expectativa acima de suas propostas, ou seja, deixaram de servir como uma projeção de um possível resultado para ter a obrigação de adivinhar os números com precisão nas casas decimais.

Ou a pesquisa crava o número exato de votos ou cometeu um erro inadmissível. Em alguns casos as empresas de pesquisas são acusadas de má fé, chegando a receber ameaça de processo.

Não podemos afirmar que todas as empresas de pesquisa estão no mesmo nível técnico, ou mesmo que não exista a possibilidade de manipulação, em todas as atividades existem bons e maus profissionais. Mas não é esse o foco desta matéria. Consideramos aqui as empresas sérias e competentes, tanto na previsão do tempo como nas pesquisas.

Em um próximo texto vamos falar sobre os cuidados para elaboração de uma pesquisa com os cuidados para diminuir os riscos de erros previsíveis.

Objeto de Estudo e Objetivo do Trabalho

A previsão do tempo estuda o movimento dos fatores que produzem a variação do clima como a umidade do ar, velocidade do vento, as marés, a evaporação dos rios e dos mares, e etc…., para prever como o clima vai se comportar em um momento futuro.

O problema é que apesar de toda tecnologia, equipamentos, imagens de satélite e toda formação dos profissionais, as nuvens nem sempre se deslocam como previsto. Uma corrente de ar da Amazônia, uma frente fria da Argentina, o El Niño ou a El Niña, podem retardar uma chuva e até provocar mudanças radicais nas previsões. Mas é inegável que na maioria das vezes as previsões estão acertando.

Com as pesquisas ocorre o mesmo. O objeto de estudo é a formação da opinião do eleitor  e os fatores que mais interferem na decisão como o nível de conhecimento dos pré-candidatos, a rejeição, os problemas que a população enfrenta, preferência partidária e muitos outros, e o objetivo é fazer uma previsão de como o eleitor vai decidir seu voto no dia da eleição.

Evoluíram as técnicas com a informatização, softwares estatísticos, estudos qualitativos, apoio da psicologia, sociologia, antropologia e todas as ciências que estudam o comportamento humano, mas ainda não conseguimos dominar todos os meandros que envolvem as decisões dos nossos entes mais próximos.

A opinião de uma pessoa é tão fluida e instável como uma nuvem no céu. Quem nunca ficou horas admirando a dança das nuvens formando vários desenhos ao sabor dos ventos.

Por este motivo, uma pesquisa eleitoral deve ser analisada como uma foto que foi tirada, no momento que a entrevista foi realizada. Nada além disso. Sabendo inclusive, que é possível até que alguns dos entrevistados já possam ter mudado de opinião quando a pesquisa for divulgada.

Para usar a pesquisa de opinião para prever o resultado da eleição é necessário fazer uma série de pesquisas, identificando as mudanças na tendência de voto conforme novas informações são apresentadas aos eleitores.

Com esta frequência de levantamentos os resultados possibilitam a construção de curvas de tendências, corrigindo as previsões a cada novo estudo.

Quanto mais próximo da data da eleição for realizada a última pesquisa, maior a possibilidade de que os resultados sejam confirmados na urna.

Lembrando que, assim como na previsão do tempo, sempre é possível que um vento de última hora que mude a direção das nuvens ou dos votos.

Então o risco de mudanças na reta final existe, ou seja, os erros são possíveis e fazem parte do processo. Porém como na previsão do tempo, os acertos são bem maiores do que os erros. Mas são os erros que ocupam o noticiário.

O assunto não pode ser esgotado em um post. Vamos escrever outros textos sobre como fazer e usar Pesquisas de Opinião Quantitativas e Qualitativas.

Convido você a deixar seu comentário, perguntas ou desejo de mais informações sobre este tema.

Aguardo sua contribuição.

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