PELA ANULAÇÃO DAS ELEIÇÕES DE 2018

PELA ANULAÇÃO DAS ELEIÇÕES DE 2018

A proposta não é minha, mas do experiente jornalista Ricardo Noblat: as eleições presidenciais de 2018 deveriam ser anuladas e o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), deveria convocar novo pleito. Motivo: as recentes declarações do principal inquilino do Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro, feitas durante sua viagem aos EUA, de que houve fraude no processo eleitoral que culminou com sua vitória.

O presidente da República foi mais longe. Sem absolutamente nenhuma prova, afirmou que, se não houvesse fraude, teria vencido o pleito já no primeiro turno. E completou: “E nós temos não apenas palavra, nós temos comprovado, brevemente eu quero mostrar, porque nós precisamos aprovar no Brasil um sistema seguro de apuração de votos”, disse o homem que se tornou mandatário da Nação com os votos de quase 58 milhões de brasileiros, no segundo turno das eleições, em 28 de outubro de 2018. 

Com sua nova e bombástica afirmação, Bolsonaro repete cantilena que adota desde sua vitória nas urnas. Setores da imprensa interpretaram a insistência no tema como mais uma das suas costumeiras tentativas de lançar cortina de fumaça sobre os gravíssimos problemas nacionais – no caso, a derrubada das bolsas de valores e a guerra nos preços do barril do petróleo.

O enfoque deveria ser outro: a omissão do TSE diante das graves acusações feitas pelo presidente, a exemplo do que já ocorreu quando a Folha de S. Paulo veiculou matéria sobre o tema, em 18 de junho do ano passado. De acordo com a matéria, durante a campanha eleitoral de 2018, empresas brasileiras contrataram uma agência de marketing na Espanha para disparar mensagens favoráveis a Bolsonaro em massa.

A gravidade das denúncias descambou na criação da CPI Mista das Fake News do Congresso Nacional, que sentenciou: 24 contas de WhatsApp nos Estados Unidos, Vietnã, Inglaterra e Brasil disseminaram mentiras e difamações durante a campanha eleitoral que ajudaram na vitória de Bolsonaro. Mais uma prova cabal que deveria levar o TSE a tomar sérias e urgentes providências a respeito, dada a gravidade do tema.

Não foi o que aconteceu. Apesar do movimento estridente feito pela oposição sobre as fake news, o TSE decidiu, em 12 de dezembro de 2018, rejeitar pedido da coligação do PT para investigar a campanha de Bolsonaro por abuso de poder econômico. A decisão foi unânime, mesmo com todas as evidências em contrário.

A verdade é que Bolsonaro tem razão, mas pelo motivo errado. Houve fraude no processo eleitoral de 2018, de fato. Mas não porque ele não venceu no primeiro turno – e sim porque, como apontam os resultados preliminares da CPI das Fake News, houve graves irregularidades no disparo de mensagens em massa favoráveis ao então candidato a presidente da República. Logo, caso as denúncias de Bolsonaro fossem investigadas, apontariam resultado exatamente contrário ao desejado por ele.

O tema foi esquecido, porém, pelos apoiadores de Jair Bolsonaro na manifestação deflagrada no último final de semana. Limitaram-se a defender a absurda proposta de fechamento do Congresso Nacional e do STF (Supremo Tribunal Federal), rebaixados pelo bolsonarismo à condição de párias nacionais apenas porque não se prestam ao papel de serviçais do Palácio do Planalto.  

Se o Judiciário tem um defeito, foi o de ter sido complacente com Bolsonaro e sua trupe que, na defesa dos seus interesses, ignora as questões realmente relevantes, agride a Constituição Federal, fragiliza as instituições e propaga teorias conspiratórias e/ou fake news para desviar a atenção da plebe em relação aos grandes temas nacionais. Agora, estamos pagando caro pela coragem que faltou ao STF e à Justiça Eleitoral de punir a candidatura Bolsonaro com a anulação das eleições ou da sua candidatura, enquanto era tempo. Triste que tenha sido assim.  

Foto: Ricardo Moraes / AFP

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *