PARANÁ TEM QUASE 40% DE MUNICÍPIOS COM DÉFICIT DE FORNECIMENTO DE ÁGUA

PARANÁ TEM QUASE 40% DE MUNICÍPIOS COM DÉFICIT DE FORNECIMENTO DE ÁGUA

Nos últimos meses, o Paraná enfrenta aquela que já é considerada uma das piores secas da história. Com chuvas abaixo da média desde o fim de 2019, as barragens que compõem o Sistema de Abastecimento Integrado de Curitiba e Região Metropolitana apresentam os menores níveis desde 2009. E, segundo as previsões meteorológicas, as chuvas dos próximos meses serão insuficientes para normalizar a situação, que tende a seguir crítica até o fim do ano. Para enfrentar esse tipo de situação, dois fatores são fundamentais: uso racional da água pela população e planejamento do poder público. As informações são de Anderson Gonçalves, da Gazeta do Povo.

É nesse último aspecto que o governo do Paraná deu um passo importante há algumas semanas, quando se tornou o primeiro estado brasileiro a elaborar um Relatório de Conjuntura de Recursos Hídricos. Realizado pelo Instituto Água e Terra, com apoio da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Instituto de Pesquisas Aplicadas (Ipea), o relatório apresenta um retrato atualizado de usos e gestão das bacias hidrográficas em todo o território paranaense. São informações sobre quantidade e qualidade da água, como ela vem sendo utilizada, mecanismos de gestão e os desafios para garantir a segurança hídrica, ou seja, “quando há disponibilidade de água em quantidade e qualidade suficientes para o atendimento às necessidades humanas, à prática das atividades econômicas e à conservação dos ecossistemas aquáticos, acompanhada de um nível aceitável de risco relacionado a secas e cheias”, conforme definição da Organização das Nações Unidas (ONU).

Com uma disponibilidade hídrica superficial de 1,2 milhão de litros por segundo, sem considerar a contribuição dos rios Paraná e Paranapanema, o estado apresenta algumas deficiências, como demonstra o relatório. Segundo a ONU, o consumo per capita deve ser próximo de 1.500 m³ por habitante/ano, suficiente para atender às necessidades básicas da população sem que haja desperdício. Mas em duas regiões – a Bacia do Paranapanema I, no Norte, e a Unidade Hidrográfica do Alto Iguaçu e Afluentes do Ribeira, no Leste e Sul –, o déficit é de 215 e 431 m³/hab/ano, respectivamente.

A situação se mostra ainda mais crítica quando é desconsiderada a contribuição da Bacia do Ribeira. Nesse caso, o Alto Iguaçu, que compreende Curitiba e parte da Região Metropolitana, concentrando 30% da população estadual, contabiliza um déficit de quase 1.000 m³/hab/ano. De acordo com o relatório, 37% das sedes urbanas paranaenses apresentam algum déficit quanto à oferta de água à população, considerando a disponibilidade hídrica dos mananciais ou a capacidade dos sistemas de produção de água para atendimento das demandas futuras.

Investimentos são necessários
Como suprir esse déficit na oferta de água? Com investimentos da ordem de pelo menos R$ 644,5 milhões, como indica o Relatório de Conjuntura de Recursos Hídricos do Paraná. Desse montante, 7% seriam destinados ao Sistema Integrado da Região Metropolitana de Curitiba. A maioria das soluções propostas se refere a ampliações ou adequações dos atuais sistemas de produção de água, contemplando 126 municípios e investimento de R$ 469,9 milhões. Outros R$ 174,5 milhões se referem à adoção de novos mananciais em 20 sedes urbanas, entre elas Curitiba, Londrina e Cascavel.

O investimento necessário para resolver esse déficit, no entanto, é ainda maior. O relatório observa que “nesse montante não estão considerados os investimentos em futuros aproveitamentos hídricos para o sistema integrado de Curitiba que extrapolam o horizonte de 2025 e que deverão ocorrer nas áreas de interesse de mananciais delimitadas por meio do Decreto nº 3.411 do Governo do Estado do Paraná”.

De acordo com o relatório, seis grandes projetos fazem parte do planejamento do governo estadual para os próximos anos, visando contribuir com o aumento da vazão para abastecimento público: ampliação dos sistemas adutores de Foz do Iguaçu e Cascavel, a Barragem do Miringuava, em São José dos Pinhais, plano de aproveitamento de recursos hídricos para a RMC e estudos para aproveitamento de recursos em algumas bacias e de refinamento do Índice de Segurança Hídrica (veja os detalhes mais abaixo).

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *