OS ULTRACONSERVADORES RELIGIOSOS SÃO OS PSICOPATAS DA BÍBLIA

OS ULTRACONSERVADORES RELIGIOSOS SÃO OS PSICOPATAS DA BÍBLIA

Poucas notícias causaram tanta repulsa, em 2020, quanto a informação de que políticos e religiosos ultraconservadores tentaram invadir o Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros, no Recife, para impedir o aborto na criança de 10 anos que engravidou como resultado de estupro cometido pelo seu próprio tio na cidade de São Mateus, localizada a 215 km de Vitória (ES).

Informa o portal Correio que, desrespeitando as regras de distanciamento social impostas pela pandemia da Covid-19, este grupo tentou invadir o hospital – com o uso da força e de agressões verbais – para tentar convencer os médicos e enfermeiros a não fazerem o procedimento. O aborto havia sido negado pelos médicos do Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes (do Espírito Santo) com o inconsistente pretexto de que não possuía protocolo para o procedimento porque a criança está na sua 22ª semana de gravidez.

Informa o Portal UOL que, afrontando o bom senso e a Ciência, o grupo – Bíblia à mão – protestou rezando e se ajoelhando em frente à unidade de saúde, onde chamaram o médico responsável pelo procedimento de “assassino”.

Finalmente, completando o circo de horrores protagonizado pelo submundo do ultraconservadorismo religioso brasileiro, a terrorista de extrema direita Sara Winter (que ficou presa 11 dias na Polícia Federal, em junho, por liderar ato defendendo o fechamento do Supremo Tribunal Federal) cometeu o odioso crime de divulgar o nome da menina e o endereço do hospital no qual a menina estava internada. E foi além: conclamou a multidão raivosa contrária ao aborto a se dirigir ao local para impedir o procedimento, em um claro ato de vandalismo.

Além de ferir mortalmente o Estatuto da Criança e do Adolescente, que garante proteção e privacidade a menores de idade quando há risco à sua integridade física e moral, Sara e os radicais religiosos ainda afrontaram decisão do juiz Antônio Moreira Fernandes, da Vara da Infância e da Juventude de São Mateus, tomada a partir de pedido do Ministério Público Estadual do Espírito Santo, que autorizou o aborto.

Ou seja: desrespeitaram uma decisão judicial e, portanto, a lei. Em qualquer país sério do mundo, isso seria motivo suficiente para que Sara Winter e os vândalos da Bíblia fossem presos. No Brasil, onde o extremismo é tolerado, rende no máximo manchetes na mídia e revolta nas redes sociais.

O Artigo 128, Inciso II, do Código Penal, autoriza o aborto em caso de estupro por meio da rede de hospitais públicos. Segue o argumento incontestável de que é absolutamente cruel e desastroso submeter uma mulher, sob os aspectos físico e psicológico, a uma maternidade forçada, que resultou de um ato de extrema violência. Uma mulher, no caso, com 10 anos de idade. Uma criança, enfim. Neste cenário, não é necessário explicar os efeitos que a maternidade exerceria sobre ela e o bebê, ao longo do tempo.

O detalhe dantesco relacionado ao caso é que a menina vinha sendo estuprada pelo tio (um homem com 33 anos de idade) desde os seis anos. Do criminoso, porém, os ultraconservadores pouco falaram. Uma delas foi bem mais longe na sua canalhice, insensibilidade e estupidez: culpou a menina pelo estupro, colocando sob suspeita sua ingenuidade e passividade diante do crime.

Nada pode ser mais cruel e repulsivo que um bando de fanáticos usar suas convicções religiosas para protestar contra um procedimento que, longe de prejudicar a menina, salvaria sua vida. Mais que isso: impediria a criança de suportar o fardo pesadíssimo de ser mãe aos 10 anos de idade de um bebê gerado a partir do estupro de um criminoso, sem ter a menor estrutura física, psicológica e material para isso.

O fato confirma que os movimentos reacionários de extrema direita, originados há cerca de 50 anos, são o que existe de mais atrasado no Brasil, enquanto manifestação religiosa e, ao mesmo tempo, cultural e ideológica. São núcleos de cidadãos – todos originários de segmentos conservadores e profundamente ignorantes da sociedade – que assumem posições sem absolutamente nenhum fundamento na Ciência e na razão, mas sim em idiossincrasias de ordem pseudo-moralista totalmente irracionais, abandonadas – e combatidas – há tempos nas nações verdadeiramente desenvolvidas.

No campo evangélico radical, escoram seu ideário nas falsas promessas de eterna proteção Divina, na interpretação literal dos preceitos bíblicos (sem absolutamente nenhuma análise crítica e contextualização histórica) e ainda no charlatanismo praticado pelos arautos da “Teoria da prosperidade”, com bases meramente materiais, movidos por uma muitas vezes ilegal máquina de fabricar dinheiro – os templos. Para isso, não hesitam em usar técnicas de persuasão e de manipulação das massas características de psicopatas como Jim Jones.

No campo católico, inspiram-se no salvacionismo, na retomada de valores tradicionais da Igreja tradicional milenar e de uma agenda, segundo estudo da pesquisadora Crislaine Francisco, da USP (Universidade de São Paulo), focada no “controle moral no âmbito da família, dos costumes e da sexualidade”. Este movimento, ainda de acordo com ela, nasceu em Pittsburgh (EUA) em 1967 e foi introduzido no Brasil um ano depois. Deu no que deu.  

São fanáticos marcados por profunda ignorância e, não raro, por graves psico e sociopatias, que não hesitam em citar os ensinamentos de Jesus para impor seu ideário ultraconservador à sociedade, ainda que isso custe a integridade de um ser humano com 10 anos de idade. Um câncer religioso-cultural difícil de ser extirpado porque se escora na desinformação, na estupidez e no conservadorismo de boa parte do povo, bem como em preceitos bíblicos supostamente defensáveis, mas que não resistem à luz da razão e do bom senso.

Jamais seremos uma grande Nação enquanto esta gente de alma e mente microscópica tiver protagonismo na cena social e política brasileira. O caso envolvendo a menina estuprada pelo tio comprova apenas o grau de patologia destas pessoas e o prejuízo enorme que podem causar à sociedade. Não se trata de um caso de liberdade de culto religioso ou de convicção. É um caso de polícia e, antes, psiquiátrico. É assim, portanto, que deve ser tratado e duramente combatido pelo que ainda nos resta de sensatez e humanidade. 

Foto: Rod Long / Unsplash.com

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