OS BARÕES MIDIÁTICOS SÃO OS FIADORES DA CRISE

OS BARÕES MIDIÁTICOS SÃO OS FIADORES DA CRISE

A grande imprensa fez ruidosa divulgação da prisão do marqueteiro ultraconservador Steve Bannon, ex-conselheiro do presidente Donald Trump e guru midiático da família Bolsonaro. Justo. Preso sob a acusação de ter participado de um surreal esquema que arrecadou mais de US$ 25 milhões para construir um muro entre os EUA e o México, Bannon foi uma das peças-chave na vitória de dois dos presidentes mais autoritários e nefastos da Política mundial, nos últimos 50 anos.

Seu criminoso modus operandi, baseado em uma estratégia agressiva de divulgação de notícias falsas e de escancarada difamação contra os adversários dos seus clientes, enquadra Bannon como um dos ideólogos da extrema direita mais danosos à democracia. Logo, recai sobre seus ombros largos parte da culpa pela tragédia causada por Trump e Bolsonaro, nos EUA e no Brasil.

Mas Bannon está longe de ser um dos principais responsáveis pela tragédia social, humanitária e econômica que enfrentamos, entre os grandes players midiáticos das Américas. Muito pelo contrário. O marqueteiro, ex-banqueiro e rei das fake news é apenas o elemento mais tosco e tóxico deste ambiente – e, exatamente por isso, foi jogado à fogueira pela grande imprensa.

Os barões da grande mídia também têm enorme responsabilidade pelo inferno dantesco que o Brasil enfrenta. E não é de hoje. Quase todos os grandes veículos de comunicação de massa colecionam uma ficha criminal de atentados à democracia que faria corar as bochechas dos mais ferrenhos ditadores.

O Brasil pobre, ignorante e atrasado que temos é resultado de um longo processo de manipulação de informações muito bem planejado que objetiva deixar o Brasil como o Brasil sempre foi: um País de Terceiro Mudo, cuja grande maioria ignara da população trabalha duro para servir aos interesses de elites econômica e política cujo único interesse é contabilizar as cifras nas suas gordas contas bancárias.

Foi assim em 1964, quando os executivos de parte da grande mídia apoiaram o golpe militar brasileiro, que durou longos 21 anos e deixou um saldo de mortes, de violência e de ignorância gigantesco, do qual ainda não nos livramos.

Foi assim em 1989 quando, em peso, a grande mídia ajudou a eleger o ex-presidente Fernando Collor de Mello, filho da elite alagoana e uma das maiores fraudes da Política brasileira, em todos os tempos. O mesmo Collor que foi cassado em 1992, por corrupção deslavada.

E vem sendo assim ainda desde 2014, quando esta mesma grande mídia deu coro à elite da elite de operadores do Direito (juízes, promotores de Justiça, desembargadores e ministros do Supremo Tribunal Federal) que chancelaram a Operação Lava-Jato – maior ação conta a corrupção no Brasil e, ao mesmo tempo, maior operação persecutória contra um partido da História, devidamente denunciada pelo portal The Intercept por sua parcialidade.

Somada aos graves erros cometidos pela cúpula e pelos governos do PT, que na ânsia de garantir sua governabilidade se aliaram a políticos fisiológicos e corruptos, grande mídia e ultraconservadores ajudaram a alavancar o impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff e a ascender ao poder o que existe de pior na Política brasileira: a extrema-direita, tão bem representada por Jair Bolsonaro.

Esta mea culpa, porém, jamais será feita. Do alto da sua arrogância e ambição, os barões midiáticos vão prosseguir fazendo o que sempre fizeram: na sua sanha pragmática de perseguir o pote de ouro no fim do arco-íris da Política brasileira, vão apoiar  o candidato que reunir melhores condições de manter o projeto de poder das elites em 2022, mesmo que ele seja o próprio Bolsonaro – curiosamente, o maior crítico da mídia.

Faltam brios, portanto, aos donos de quase todos os grandes veículos de comunicação de massa, tanto quanto compromisso efetivo com o interesse público e com a ética jornalística. São eles, e não apenas a classe política, os verdadeiros fiadores da crise. Cedo ou tarde, a História cobrará desta gente insensível a conta pela tragédia na qual ajudaram a mergulhar a Nação. Esperemos.

Foto: Pexels / Kaboompics

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