O PESO DA PANDEMIA DA COVID-19 NAS ELEIÇÕES DE 2020

O PESO DA PANDEMIA DA COVID-19 NAS ELEIÇÕES DE 2020

A pandemia da Covid-19 está gerando um fato extremamente importante – e decisório – no processo eleitoral de 2020, apesar de pouco explorado pela grande mídia: a redução do peso do poder dos prefeitos que disputarão novo mandato na definição do resultado das urnas, em 15 novembro.

Até o pleito de 2016, buscar a reeleição de prefeito trazia enorme vantagem competitiva aos detentores de mandato, por três razões: 1)A maior visibilidade midiática dos governantes em relação aos seus adversários, 2)A possibilidade de exposição das obras dos prefeitos no Horário Eleitoral Gratuito e 3)A interação diária dos gestores municipais com os seus eleitores, em todos os espaços possíveis.

A pandemia da Covid-19 não eliminou os dois primeiros motivos, mas reduziu este handicap eleitoral, em relação ao terceiro. Em muitos casos, de forma tão significativa que ameaça seriamente a reeleição de muitos dos gestores municipais. Dois motivos explicam esta posição.

O primeiro deles será a impossibilidade de muitos prefeitos de fazerem campanha nas ruas, em audiências públicas ou em outros espaços que possibilitem o diálogo direto com o eleitor. Com as medidas de distanciamento social impostas pela pandemia da Covid-19, será praticamente impossível a muitos gestores se ausentar dos seus gabinetes para interagir com o eleitorado.

Isso é particularmente complicado nos casos dos prefeitos que integram o grupo de risco da Covid-19. O fato está longe de ser desprezível. De acordo com levantamento feito pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), dos 1.313 prefeitos em exercício que têm mais de 60 anos, 1.040 poderão concorrer à reeleição.

Supondo-se que todo sejam candidatos em 2020, isto significa que aproximadamente 20% dos atuais 5,5 mil prefeitos brasileiros sofrerão limitações em suas campanhas pelo simples fato de integrarem o grupo de risco. Ainda em relação a este fato, vale lembrar que os candidatos da oposição situados fora do grupo de risco já estão em campanha – nas ruas, inclusive.

O número acima é particularmente significativo se comparado a outro dado. Ainda de acordo com a pesquisa da CNM, 78,7% dos atuais prefeitos podem se candidatar à reeleição, em 2020 – número equivalente a 4.384 gestores municipais.

É com base neste último dado que emerge o outro motivo que pode dificultar muito a reeleição dos atuais prefeitos: o enorme desgaste sofrido por muitos deles por causa da Covid-19, que desafiou e testou os limites de recursos financeiros e humanos dos municípios brasileiros. 

A postura adotada por Jair Bolsonaro em relação à pandemia agravou este cenário, na medida em que o presidente da República se esquivou completamente da sua responsabilidade pela sucessão de erros cometidos na gestão da crise provocada pelo avanço vertiginoso da doença.

Em vez disso, lançou sobre os ombros de prefeitos e governadores o peso da culpa por um erro que – ainda que tenha sido agravado por equívocos de gestão dos municípios e do Estado – é seu, antes de tudo.

É óbvio que, na reeleição, pesam outros fatores que podem anular os prejuízos causados aos atuais prefeitos – o tempo na propaganda eleitoral gratuita, a maior soma de recursos do Fundo Eleitoral destinados aos grandes partidos, a popularidade dos atuais prefeitos, a sua competência administrativa e até os perfis dos seus adversários na disputa.

O fato é que, caso os fatores citados acima tenham peso pequeno na definição do processo eleitoral, tudo indica que teremos uma boa renovação na dança de cadeiras dos governos municipais. A conferir.

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