O FANTASMA DA ESTIAGEM AGRAVA A CRISE NACIONAL

O FANTASMA DA ESTIAGEM AGRAVA A CRISE NACIONAL

Como se já não bastassem a tragédia sanitária causada pela covid-19 e o desastre político e econômico proporcionado pelo governo Jair Bolsonaro, o Brasil encara outro gravíssimo problema: a estiagem.

A falta de chuvas atinge proporções tão dramáticas que o maior rio do Paraná, o Iguaçu, apresenta seu nível mais baixo desde 1931, quando o monitoramento da Copel e do Simepar (Serviço Meteorológico do Estado) começou a ser feito.

Segundo o Simepar, em União da Vitória, o Iguaçu possui 1,29 m, quando o normal é de 2,7m. Isto significa que o rio – um dos parâmetros mais importantes da riqueza hídrica do Estado – apresenta apenas 10% da sua capacidade normal de água. E este cenário desolador deve durar pelo menos até setembro.

No Brasil, o cenário não é diferente. Segundo a revista Superinteressante, das dez maiores estiagens da História do País, nada menos que 3 aconteceram na segunda metade do século XX – em 1963, 1979 e 1997. Outras três, mais recentes, ocorreram no curtíssimo prazo de 20 anos: 2001, 2008 e 2020.

A causa do problema, na grande maioria dos casos, relaciona-se à sistemática e extraordinariamente agressiva destruição da natureza pelo homem. Esta é uma das conclusões do geógrafo Marcos Ferreira na sua dissertação de mestrado intitulada “Estiagens no Paraná – 1971/2004”.

Segundo ele, paralelamente ao crescimento desordenado da população, o País enfrenta sérios problemas, do ponto de vista estrutural, que agravam os efeitos da estiagem, como a ausência de uma rede de distribuição e de armazenamento de água adequada.

Mas o calcanhar de Aquiles do problema é mesmo a destruição do meio ambiente. E, aqui, o leque de problemas é vasto, mas se situa sobretudo no desmatamento de áreas nativas para a abertura de espaço para a agricultura e a pecuária.

O autor exemplifica o problema citando um dos Estados mais afetados pela destruição do meio ambiente: o Mato Grosso do Sul. Segundo Ferreira, a precipitação total por ano no Estado diminuiu de 1500 para 1250 mm, entre 1981 e 2002. Os motivos: os desmatamentos e as queimadas em larga escala, que ocorreram paralelamente à diminuição da função de fixação do CO2 pela vegetação – o gás do “efeito estufa” – e geraram a redução da formação de chuvas no Estado.

O problema se agrava ainda mais no caso brasileiro devido ao completo desinteresse do Governo Federal de combater a destruição do meio ambiente, dada sua aliança com os principais responsáveis pela derrubada das matas: latifundiários, madeireiros, grandes criadores de gado e toda sorte de bandoleiros e parasitas da natureza.

Não por acaso. Além de ter bloqueado em 38% as verbas para o combate a incêndios e em 95% os recursos para combater as mudanças climáticas, o governo Bolsonaro é campeão em destruição da natureza.

De acordo com o Greenpeace, baseado em dados do Deter (sistema que fornece alertas de onde o desmatamento está ocorrendo em tempo real), o desmatamento cresceu 30% em 2019. Somente entre agosto de 2019 e março de 2020, houve 5.260 km² com alertas de desmatamento, quase o dobro do registrado no mesmo período entre 2018 e 2019. São 98% de crescimento, no período. 

Números absurdos e tristes, que apontam para um cenário de terra arrasada em relação ao meio ambiente e aos inestimáveis recursos hídricos do Brasil – dono de aproximadamente 14% da água doce disponível do planeta.

Se nada for feito em direção contrária, além da gravíssima crise social e econômica que se desenha e deve se prolongar, teremos que suportar ainda novas estiagens e grandes racionamentos de água. O fantasma da estiagem já está em nossos calcanhares – e promete ser tão assustador quanto as demais tragédias que enfrentamos.

Foto: Portal Vvale / Skillfx produções

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