O DESAFIO DA INCLUSÃO DIGITAL, EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

O DESAFIO DA INCLUSÃO DIGITAL, EM TEMPOS DE CORONAVÍRUS

A gravíssima pandemia da Covid-19, a maior do século, trouxe um inesperado e gigantesco desafio aos governos e empresários do planeta: a inclusão digital de todos os cidadãos. Se antes da pandemia o acesso à internet e às plataformas digitais destinadas a conectar pessoas era artigo de luxo para muitos, agora passou a ser item de primeira necessidade. 

Não se trata de mero exercício de retórica. A exclusão de centenas de milhões de cidadãos da rede mundial de computadores impediu-as de receberem informações relevantes em todos os campos do conhecimento, inclusive na área de saúde. Mais que isto, impediu-os de ter alternativas para sua formação/qualificação, em um cenário no qual o contato físico representa uma ameaça real às vidas de muitos.

A internet, decididamente, deixou de ser apenas um instrumento de cultura, diversão e lazer para se tornar peça-chave no processo de consolidação da cidadania. E, portanto, para garantir aos cidadãos plena saúde física e mental, como preconiza a ONU (Organização das Nações Unidas) em seus 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, que devem ser implantados até 2030.     


Este quadro se torna ainda mais desafiador devido às mudanças ocorridas no mercado de trabalho por causa da Covid-19. A necessidade de milhões de pessoas adotarem esquema de home office para evitar aglomerações forçará os governos (federal, estaduais e municipais), inevitavelmente, a oferecer conectividade com internet de alta qualidade aos cidadãos para garantir que – diante de um mercado de trabalho que pode ser totalmente redesenhado – as pessoas tenham condições de continuar atuando e garantir sua subsistência.

Os números confirmam a urgência de o Brasil achar uma solução rápida e eficaz para o problema. Cerca de 80% da população têm acesso à internet, de acordo com dados divulgados em 2019 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o que equivale a 166 milhões de pessoas. É um bom percentual, comparado aos números mundiais. De acordo com a Connectivity a The Economist Intelligence Unit, cerca de 50% população mundial (quase quatro bilhões de pessoas) não têm acesso à internet. E o problema é tanto maior quanto mais pobre é um País.

Esta urgência se tornou evidente no Brasil no processo de discussão da reposição das aulas via EaD (Ensino a Distância), em todos os níveis de ensino. Embora defendida por muitos alunos e professores, com o argumento de que o EaD seria uma alternativa eficaz para minimizar os danos causados pelo isolamento na formação dos estudantes, a proposta tem sido duramente rechaçada por outros segmentos, como os governantes e os sindicatos de professores.

O primeiro grupo porque sabe que milhões de estudantes da rede pública carentes não têm acesso à internet, sobretudo na zona rural. O segundo porque, além disso, identifica no EaD um sério risco à qualidade da educação (sobretudo no ensino fundamental) e à sobrevivência dos professores, que estão sendo alijados da discussão e substituídos por educadores virtuais.

Dada à aceleração dos casos de contaminação pela Covid-19, o isolamento – apesar da resistência do presidente da República e de seus aliados no mundo empresarial e na sociedade – ainda deverá continuar por pelo menos mais um mês, na grande maioria dos Estados brasileiros. A necessidade urgente de se garantir inclusão digital à maioria, também. O desafio, enfim está lançado. Para o bem estar de todos, espera-se que seja resolvido. E logo.

Foto: Unsplash

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