O BRASIL NÃO SERÁ O MESMO, DEPOIS DAS QUEIMADAS

O BRASIL NÃO SERÁ O MESMO, DEPOIS DAS QUEIMADAS

O Brasil enfrenta, há meses, aquele que provavelmente será seu maior problema, de hoje em diante: os gravíssimos danos ambientais que já começam a ser causados pelas queimadas naturais ou criminosas que uma quadrilha de fazendeiros/madeireiros provocou tanto na Amazônia quanto no Pantanal.

Não é problema recente, naturalmente, e por isso não pode ser creditado apenas na conta da irresponsabilidade e da incompetência do governo Bolsonaro no trato das questões ambientais – até porque, nos seus 13 anos de governo, o PT também não enfrentou o problema adequadamente. Idem os anteriores. Não se trata também de catastrofismo ou de tentativa de partidarização de um debate que deveria ser meramente técnico.

Doa a quem doer, a verdade é que o atual governo tem se revelado cúmplice de toda sorte de criminosos ambientais, seja pela sua recusa em adotar punições severas aos infratores, seja pelo seu completo desinteresse em combater os focos do incêndio do jeito certo, o que incluiria colocar o Exército dentro da floresta, por exemplo.

Bolsonaro fez o contrário. Reduziu em 600 o número de fiscais do meio ambiente e planeja cortar em quase R$ 2 bilhões os orçamentos do Ibama (Instittuo Brasileiro do Meio Ambiente) e do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), em 2021.

Uma afronta, considerando-se a expansão dos incêndios na floresta e a degradação ambiental gigantesca ocorrida nas matas por força da expansão agrícola (leia-se grilagem de terras públicas e/ou conservadas) e da depredação das reservas de minerais e de madeira dos grandes biomas nacionais. Neste sentido, se não é o único culpado por este problema, Bolsonaro é seu maior incentivador. 

Falemos das conseqüências da tragédia ambiental que o desmatamento cria. Vivemos uma das maiores estiagens dos últimos 40 anos, que está gerando desabastecimento de água e racionamento severos em grande número de cidades brasileiras, inclusive no Sul, dono dos melhores indicadores sociais do país. Não há, enfim, qualidade devida que resista à falta de água. Os meteorologistas preveem coisa pior, em breve: furacões e alterações drásticas do clima.

Não sem razão. Se atinge proporções grandes no mudo, o problema alcança dimensões catastróficas no Brasil. Apenas no Pantanal, segundo o Prevfogo (Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais), foram mais de 2,9 milhões de hectares atingidos pelo fogo de janeiro a setembro deste ano.

O portal BBC News alerta que isso corresponde a 19% do bioma no Brasil, conforme informações fornecidas pelo Instituto SOS Pantanal. Trata-se de uma área queimada equivalente a pouco mais de 19 vezes a capital de São Paulo – a maior cidade do Brasil. Cerca de 1/3 do bioma se perdeu por força dos incêndios.

No caso da Amazônia, considerando-se apenas a área queimada em 2019, o portal UOL informa que foram 10 mil quilômetros quadrados –  área equivalente ao tamanho do Líbano. Uma monstruosidade, segundo Júlio Sampaio, da ONG WWF, sobretudo porque suas principais causas são as atividades humanas. “O uso do fogo saiu do controle no bioma, principalmente diante da seca histórica da região”, argumenta, referindo-se ao Pantanal.

De acordo com o jornal O Estado de São Paulo, a perícia divulgada pelo Ciman-MT (Centro Integrado Multiagências de Coordenação Operacional) revelou o que se sabia: o fogo no Pantanal em Mato Grosso tem causa humana e foi provocado basicamente por cinco grandes fazendeiros da região.

Tanta agressão à natureza tem seu preço. O Brasil não será mais o mesmo depois deste cenário de destruição, nas nossas matas. E terá que aprender a conviver com temperaturas cada vez mais altas, com racionamento de água e com outros fenômenos causados pelo homem que podem agravar as tragédias tanto as cidades quanto no campo. O Brasil chora, desde o ano passado, com as queimadas na Amazônia. Se depender do governo Bolsonaro e dos sociopatas gananciosos que comandam os grandes latifúndios do Norte e Centro-Oeste brasileiro, continuarão fazendo isso por muito tempo.

Foto: José Cruz / Agência Brasil

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