O BOLSONARISMO É O TRIUNFO DO GROTESCO

O BOLSONARISMO É O TRIUNFO DO GROTESCO

A vitória de Jair Bolsonaro nas eleições presidenciais de 2018 não marcou apenas a tomada do Palácio do Planalto pelos movimentos de extrema direita que o apoiam. A ascensão do bolsonarismo também reinseriu, no cenário político brasileiro, uma característica de muitos integrantes destes movimentos que hibernava por 35 anos, ao menos no coração da República: o grotesco.

Não que os sete ex-presidentes da República empossados depois da redemocratização do Brasil, em 1985 (José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer) não tenham protagonizado cenas bizarras em seus mandatos. Mas estas excentricidades partiram muito mais dos seus apoiadores nos ministérios – ou no Congresso Nacional – que do núcleo duro do Governo Federal.

Com Jair Messias Bolsonaro, o tosco e o bizarro atingiram um patamar sem precedentes na História da República – em muitos casos, superior até às cenas dantescas ocorridas com os presidentes do período militar. Não falamos apenas da truculência política que marcou os 21 anos do regime de força que governou o Brasil a partir de 1964, com o general Humberto de Alencar Castelo Branco.

O grotesco em Bolsonaro e em muitos dos seus aliados é de natureza cultural e estética. A esta gente tosca, falta a velha e boa educação que caracteriza as relações sociais e que deveria ser regra básica de um presidente da República. Além disso, faltam-lhes também a noção de alteridade na relação com a sociedade, especialmente em relação aos segmentos que os governistas identificam como adversários – a imprensa e os integrantes do movimento social.  

Em quase 14 meses de mandato, o ocupante do Palácio do Planalto deixou claro que não está à altura do cargo. E não apenas porque não tem competência gerencial e política para o posto, mas porque não tem a fidalguia e a compostura necessárias ao cargo de representante dos 210 milhões de brasileiros. Jair Bolsonaro é, basicamente, um ogro no poder, que alçou ao cargo máximo da República não por sua capacidade de diálogo, seu refino como homem público e sua articulação política, mas exatamente por suas grosserias/excentricidades e pela ojeriza de 57 milhões de eleitores ao PT.

Os exemplos desta grosseria se multiplicam. Os dois recentes envolvem a imprensa. O primeiro, mais grave, ocorreu quando Bolsonaro e seus apoiadores fizeram postagens nas redes sociais marcadas por extremo machismo e grosseria, além de calúnias e ofensas, contra uma das jornalistas mais respeitadas do País – Patrícia Campos, da Folha de S. Paulo. Tudo por causa de absurdas e mentirosas acusações feitas contra ela por parte do ex-funcionário da empresa Yacows, Hans River, durante a CPMI das Fake News do Congresso Nacional.

Outro exemplo ocorreu no final da semana passada, quando o presidente convidou o humorista Carioca (Márvio Lúcio), encarnado no personagem Bolsonabo, a fazer piadas com a imprensa que cobre o Palácio do Planalto. Carioca fez mais: em um dos episódios mais deprimentes da relação do Governo Federal com a imprensa, quis distribuir bananas aos jornalistas que, em sinal de protesto, deram as costas ao humorista.

Nem o ex-presidente da República João Baptista Figueiredo e o general Newton Cruz (ex-comandante militar do Planalto entre 1977 e 1983) foram tão longe nas suas grosserias. O primeiro passou à História por ter cunhado uma frase-símbolo da sua boçalidade e estupidez: “O cheirinho dos cavalos é melhor que o cheiro do povo”, disse Figueiredo, que também costumava maltratar a imprensa, a ponto de ser ignorado pelos fotógrafos que cobriam o Palácio do Planalto em protesto contra as ofensas que recebiam. Já o segundo se notabilizou por destratar a imprensa com palavrões e grosserias.

Já é hora de a Nação reagir a este estado de coisas. A ignorância, a grosseria e a intolerância do atual ocupante do Planalto do Planalto e seus aliados não são graves apenas porque ofendem profundamente movimentos sociais e cidadãos, mas porque geram desconfiança e efeitos péssimos no mercado financeiro e no plano internacional, com consequências políticas e econômicas igualmente sérias para a economia. Bolsonaro prossegue se comportando como ex-capitão do Exército em permanente estado de campanha eleitoral contra seus inimigos reais ou imaginários, como os petistas e comunistas. O problema é que o PT não governa o País há quase 4 anos, o Comunismo jamais chegou ao Palácio do Planalto e o autor destas ofensas é presidente da República, já há 14 meses. Bolsonaro é um elefante em loja de cristais. Resta saber por quanto tempo os brasileiros sensatos vão tolerar os estragos que a estupidez do presidente está causando ao País.

Foto: Reprodução

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