NA PANDEMIA, TAXA DE EVASÃO ESCOLAR CRESCE 148% NO PARANÁ

A pandemia do novo coronavírus teve reflexos importantes para a educação paranaense, fazendo a evasão escolar mais que dobrar no estado em meio à crise sanitária. É o que mostra o estudo “Retorno para escola, jornada e pandemia”, divulgado pelo Centro de Políticas Sociais da Fundação Getúlio Vargas, o FGV Social. As informações são de Rodolfo Luis Kowalski, do Bem Paraná.

Conforme a pesquisa, que utiliza os microdados da PNAD Continua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia Estatística (IBGE), em 2019 a taxa de evasão escolar na faixa de 5 a 9 anos de idade estava em 1,29% no Paraná, o que significa que 13 em cada 1.000 crianças nessa faixa etária não frequentavam a escola. Já no terceiro trimestre do ano passado essa taxa chegou a 3,2%. Ou seja, de cada 1.000 crianças com idade entre 5 e 9 anos, 32 estavam fora do ambiente escolar.

Assim sendo, temos um cenário no qual a taxa de evasão escolar teve crescimento de 148% em menos de dois anos. Em outros momentos durante a crise sanitária, no entanto, esses valores chegaram a ser ainda mais expressivos. No último trimestre de 2020, por exemplo, a taxa de evasão escolar alcançou 5,92%. Já no segundo trimestre de 2021, bateu 4,67%.

A metologia sugerida pelos autores (os economistas Marcelo Neri e Manuel Camillo Osorio) considerou o tempo despendido pelos alunos em horas e minutos nas escolas usando dados do PNAD. Atualmente, os índices de evasão se limitam a calcular a presença escolar por número de matrículas registradas.

No Brasil, número de crianças fora da escola praticamente triplicou

Um outro estudo, divulgado no final do ano passado pela ONG Todos Pela Educação, identificou que a evasão escolar no Brasil praticamente triplicou durante a pandemia, com aumento de 171%. Em 2019 haviam 90 mil crianças com idade de 6 a 14 anos fora da escola, número que saltou para 244 mil no segundo trimestre de 2021. Nesse período, a taxa de jovens nessa faixa etária matriculados caiu quase dois pontos porcentuais, passando de 98% para 96,2%.

Já no ensino médio, onde a evasão costuma ser mais alta por conta de situações como a necessidade de se trabalhar e a maternidade precoce, a taxa de evasão escolar teve queda. Em 2019, 87,7% dos adolescentes estavam nalguma escola, porcentual que em 2021 subiu para 91,3%. Em termos absolutos, são 407,4 mil jovens de 15 a 17 anos fora da escola, sem ter completado o Ensino Médio.

Maioria das crianças recebeu e realizou atividades escolares

O estudo da FGV Social colocou o Paraná como destaque positivo na proposição e realização de atividades escolares por crianças com idade de 6 a 15 anos. Conforme o levantamento, apenas 2,09% dos jovens não receberam nenhuma atividade escolar, o menor índice do país (Santa Catarina aparece logo atrás, com 2,76%, enquanto o Pará teve o pior resultado, com 45,27%). Além disso, apenas 0,9% das crianças que receberam atividades não as realizaram, também a menor proporção entre todas as unidades da federação.

Segundo os autores, a falta de atividades escolares percebidas pelos estudantes é mais relacionada à inexistência de oferta por parte das redes escolares do que a problemas de demanda dos próprios alunos. Enquanto 12% dos estudantes de 6 a 15 anos não receberam materiais dos gestores educacionais e professores, apenas 2,7% não utilizaram os materiais que receberam por alguma razão pessoal.

“Há um agravamento nas desigualdades de educação no Brasil durante a pandemia, invertendo a tendência prévia ao crescimento e a equidade na acumulação de capital humano. Os alunos das séries iniciais, que tinham obtido os maiores avanços escolares nas quatro últimas décadas, foram os mais penalizados durante a pandemia. A vacinação das crianças contra o Covid-19 se apresenta como medida fundamental para o retorno a escola com mais segurança para todos”, destacam os autores.

Do Bem Paraná.

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