MORO NEGA INTERFERÊNCIA NA INVESTIGAÇÃO DA PF SOBRE HACKERS

MORO NEGA INTERFERÊNCIA NA INVESTIGAÇÃO DA PF SOBRE HACKERS

O ex-ministro da Justiça Sérgio Moro prestou depoimento nesta quarta-feira (08/07) à Justiça Federal no processo da Operação Spoofing, que investiga a invasão na troca de mensagens de procuradores da força-tarefa da Lava-Jato por hackers. Moro foi interrogado como testemunha, por videoconferência. Ele voltou a dizer que teve o celular invadido e, como titular da pasta da Justiça, ordenou que a Polícia Federal investigasse o caso. O ex-ministro negou que tivesse usado do cargo para interferir nas apurações. As informações são de Carolina Brígido, d’O Globo.

Eu jamais influenciei a investigação. A PF fez seu trabalho de forma independente — declarou.

Moro foi uma das vítimas das ações dos hackers liderados por Walter Delgatti Netto, conhecido como Vermelho. O procurador Deltan Dallagnol, da Lava-Jato, também foi alvo do crime e teve parte de suas conversas divulgadas pelo site “The Intercept Brasil”. De acordo com o Ministério Público Federal, os hackers atuavam em três frentes: fraudes bancárias, invasão de dispositivos informáticos, como celulares, e lavagem de dinheiro.

Perguntado se usou sua função de ministro para que a investigação ficasse a cargo da PF, Moro explicou que, como foram atacadas autoridades federais, a competência para o caso seria mesmo da corporação.

Como fui atacado na condição de ministro da Justiça, funcionário público federal, a competência é da Polícia Federal e da Justiça Federal — afirmou.

Moro disse que não se lembra se conversou sobre a ação dos hackers com o delegado responsável pela investigação, mas disse que falou com o então diretor-geral da PF, Maurício Valeixo.

Falamos algumas vezes sobre esse assunto com a Polícia Federal, por que isso acabou envolvendo questões relativas à segurança nacional. Afinal de contas não é trivial tentativa de hackeamento do telefone do ministro da Justiça e Segurança Pública e nós tratávamos de assuntos sensíveis ali dentro do telefone. Isso ainda foi agravado depois, pela constatação de que teriam atacado o telefone do presidente da República. Aí são assuntos de segurança nacional, e isso é objeto de discussão entre mim e a Polícia Federal — declarou.

O ex-ministro contou ainda que recebia informações gerais da Polícia Federal sobre o andamento das investigações, mas sem detalhes:

Eu não tinha acesso ao inquérito, era só um acompanhamento do andamento do trabalho. Além da posição de vítima, tinha essa situação envolvendo segurança nacional.

Foto: Pablo Jacob / Agência O Globo

D’O Globo

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