MINISTROS IDEOLÓGICOS DESTOAM DE MANDETTA E MORO E MANTÊM FIDELIDADE A BOLSONARO NO CORONAVÍRUS

MINISTROS IDEOLÓGICOS DESTOAM DE MANDETTA E MORO E MANTÊM FIDELIDADE A BOLSONARO NO CORONAVÍRUS

Nem mesmo as possíveis consequências da pandemia do novo coronavírus no Brasil fizeram a ala ideológica do governo questionar as ações e atitudes do presidente Jair Bolsonaro. As informações são de Julia Chaib, Renato Onofre de Souza e Talita Fernandes da Folha de São Paulo.

Ele tem se mantido na contramão do que dizem especialistas e líderes mundiais, incluindo o americano e aliado Donald Trump, e também do discurso de um bloco que inclui os ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde) e Sergio Moro (Justiça).

Mas a grande maioria dos ministros que se enquadra no grupo ideológico apoia as medidas do chefe do Executivo.

Outros ministros e assessores mais radicais estão alinhados a Bolsonaro na defesa do que ele chama de isolamento vertical —retirada do convívio social apenas dos maiores de 60 anos e grupos mais suscetíveis à Covid-19— e da reabertura do comércio e de outras atividades normalmente.

O ministro Abraham Weintraub (Educação) escreveu na quarta-feira (1º/04) em suas redes sociais que, por ele, as escolas e outras instituições de ensino voltariam a funcionar no mês de abril.

Weintraub ignorou a recomendação de Mandetta, que, dois dias antes, em entrevista coletiva, afirmou que as crianças e os jovens não podem voltar às aulas.

O ministro da Educação e seu irmão Arthur Weintraub são algumas das vozes ouvidas pelo presidente durante a crise. Arthur, que é assessor especial da Presidência, é um dos principais defensores do uso da cloroquina para o combate à Covid-19.

“Zumbis ficam infestando meu Twitter dizendo que não posso falar da cloroquina porque não sou médico. Tenho pós-doutorado pelo Departamento de Neurociências da Universidade Federal de São Paulo. Tese envolveu epilepsia, direito previdenciário e atuária. Eu poderia ser diretor da OMS [Organização Mundial da Saúde]!”, escreveu em sua conta.

Levantamento feito pela Folha de São Paulo aponta que seis ministros apoiam integralmente as ações e os posicionamentos do presidente.

Além de Weintraub, estão no mesmo barco Ricardo Salles (Meio Ambiente), Ernesto Araújo (Relações Exteriores), Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional), Marcelo Álvaro Antônio (Turismo) e Onyx Lorenzoni (Cidadania).

Araújo tem sido constantemente usado por Bolsonaro para contrapor as recomendações da OMS. O ministro tem diminuído as recomendações do organismo e municiado a narrativa do presidente apontando que é “importante salvaguardar os empregos”.

A secretária especial da Cultura, Regina Duarte, tem feito uma série de publicações em suas redes sociais em apoio à fala de Bolsonaro. Mas está em isolamento desde 21 de março, quando voltou a São Paulo e passou a trabalhar de casa.

Uma das integrantes mais ativas do núcleo ideológico, Damares Alves (Direitos Humanos) chegou a retuitar uma postagem de Bolsonaro afirmando que ele “estava certo” sobre a preocupação com a economia.

Apesar de defender Bolsonaro publicamente, a ministra tem pregado internamente, em reuniões com a equipe, que a pasta siga orientações da Saúde e, nesse sentido, formula ações focadas no isolamento mais robusto.

Na semana passada, depois do pronunciamento em que Bolsonaro defendeu o fim das medidas de isolamento, uma integrante da equipe ligada ao deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) sugeriu que a pasta estimulasse jovens a retomar suas atividades de trabalho. A ministra vetou a iniciativa.

Além disso, o Ministério dos Direitos Humanos tem elaborado uma série de cartilhas com sugestões de brincadeiras para crianças durante a quarentena, entre outros.

Foto: Sergio Lima / AFP

Da Folha de São Paulo

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