MINISTRO DA SAÚDE NELSON TEICH DEIXA GOVERNO BOLSONARO

MINISTRO DA SAÚDE NELSON TEICH DEIXA GOVERNO BOLSONARO

O ministro da Saúde, Nelson Teich, deixou nesta sexta-feira (15/05) o governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido). A saída do ministro acontece menos de um mês após ele substituir Luiz Henrique Mandetta na pasta, e sua saída já vinha sendo cogitada havia alguns dias. Uma entrevista coletiva foi marcada no ministério para esclarecer a exoneração.

Às 12h, uma nota divulgada pela assessoria de imprensa do ministério informava que Teich pediu demissão. 12 minutos antes, porém, um membro da pasta tinha informado que o oncologista foi demitido em uma reunião de última hora com Bolsonaro para a qual foi convocado nesta manhã.

Após o posicionamento oficial do Ministério da Saúde, a fonte reafirmou que Teich não pediu demissão e, sim, demitido. Nenhum dos dois ainda se manifestou publicamente sobre a decisão. O ministro da Casa Civil, Braga Netto, disse ao UOL que Teich pediu para deixar o cargo.

O general Eduardo Pazuello assumiu interinamente o comando do Ministério da Saúde após a confirmação da saída de Nelson Teich.

Como Mandetta, Teich defendeu publicamente posições contrárias às do presidente. Além de afirmar que o distanciamento social deveria ser uma medida de combate à pandemia do novo coronavírus — enquanto Bolsonaro defende que apenas pessoas do grupo de risco fiquem em isolamento —, Teich postou em uma rede social nesta semana que o uso da cloroquina no tratamento contra a covid-19 deve ser feito com restrições, já que a substância pode desencadear efeitos colaterais. O presidente, por sua vez, é um dos principais defensores da medicação.

No momento em que a demissão de Teich foi anunciada, Bolsonaro estava participando do lançamento de uma campanha de conscientização contra a violência doméstica feita pelo Ministério da Mulher e da Família. Ele estava acompanhado de sua mulher, Michelle Bolsonaro, e dos ministros Onyx Lorenzoni e Damares Alves e não falou no evento.

Um dos nomes cotados para assumir o comando do ministério da Saúde é o atual número 2 da pasta, o general de divisão Eduardo Pazuello.

Segundo a colunista do UOL Carla Araújo, o nome do militar conta com o apoio dos generais que ocupam ministérios no Palácio do Planalto. Braga Netto afirmou que Pazuello assume interinamente o cargo.

Outra possível substituta, a médica Nise Yamaguchi, defensora da cloroquina e que havia sido cotada para assumir o ministério com a demissão de Mandetta, esteve no Palácio do Planalto no mesmo dia da exoneração de Teich.

Divergência sobre uso da cloroquina
Em conversa com apoiadores em frente ao Palácio da Alvorada, nesta sexta-feira (15/05), Bolsonaro afirmou que o protocolo de uso da cloroquina seria mudado pelo Ministério da Saúde, apesar de Teich ter alertado para a falta de comprovação científica de eficácia e os efeitos colaterais. O presidente quer a inclusão do uso desde os primeiros sintomas do coronavírus

“O protocolo deve ser mudado hoje porque o Conselho Federal de Medicina diz que pode usar desde o começo então. É direito do paciente. O médico na ponta da linha é escravo do protocolo. Se ele usa algo diferente do que está ali e o paciente tem alguma complicação ele pode ser processado”, disse.

Foto: Sérgio Lima / Poder 360

Do UOL

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *