HUCK RECEBE AS BÊNÇÃOS DA MÍDIA MERCENÁRIA E DA VELHA DIREITA

HUCK RECEBE AS BÊNÇÃOS DA MÍDIA MERCENÁRIA E DA VELHA DIREITA

A velha e carcomida direita brasileira, com o apoio da grande mídia mercenária, parece finalmente ter encontrado um candidato para chamar de seu nas eleições presidenciais de 2022: o apresentador e empresário Luciano Huck- estrela das tardes de sábado da Rede Globo de TV.

Não por acaso. Percebendo a tragédia anunciada em que se constitui o governo Jair Bolsonaro, que deve se agravar com o acirramento da crise econômica instalada no Brasil desde 2013, os apoiadores da manutenção do status quo existente no país começam a criar alternativas para deixar as coisas exatamente do jeito que estão – ou seja, em situação de permanente desigualdade.

Não é tarefa fácil. As três opções mais interessantes para o grande empresariado reacionário ou já naufragaram, a partir de 2018, ou estão a um passo disso. O ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) era uma delas – e a mais palatável. Político experiente, tom sereno e totalmente alinhado ao capital financeiro, Alckmin não suportou o tsunami da extrema direita que, sob o falso manto da renovação política, dominou o cenário eleitoral, em 2018. O ex-governador deixou a eleição com risíveis 4,76% dos votos válidos, o que lhe garantiu o desonroso quarto lugar na disputa.

A segunda opção é o governador de São Paulo, João Dória. Poliglota, rico, influente entre os bilionários e dono de uma coleção de roupas da Ralph Lauren invejável, o governador é o candidato dos sonhos das elites.

Mas Dória está vendo seu projeto de subir a rampa do Palácio do Planalto naufragar por força da sua vocação para a traição com companheiros do PSDB (como fez com Alckimin, na sucessão do governador paulista), da sua vaidade extremada e do tiro no pé que deu durante a pandemia, quando converteu a compra das vacinas contra a covid-19 em São Paulo em um verdadeiro festival eleitoral. Tanto que Dória, por enquanto, prossegue tendo um dígito nas pesquisas de opinião que apontam os favoritos do eleitorado na sucessão de Bolsonaro.


A última opção era o ex-juiz e ex-ministro Sérgio Moro (por enquanto,sem partido). Convertido em herói nacional e paladino da moralidade pública pela Lava Jato, o ex-juiz prossegue sendo um nome forte na disputa, ao menos no gosto popular.

Moro enfrenta, porém, dois graves problemas. Primeiro, sua completa inabilidade política, que o converteu em inimigo número 2 do Bolsonarismo (depois de João Dória), cuja claque até então estava disposta a votar nele, no caso de um naufrágio da candidatura de Bolsonaro em 2022, mas que desistiu da aventura depois do rompimento do ex-juiz com o presidente, em abril do ano passado.

Segundo, o fato de que as gravações divulgadas pelo portal The Intercept na operação Vaja Jato – agora totalmente reveladas e liberadas à defesa do ex-presidente Luz Inácio Lula da Silva pelo STF (Supremo Tribunal Federal) – colocaram por terra a fama de bom moço que Moro construiu junto ao eleitorado. Moro ainda não perdeu seu capital político, mas reduziu muito seu eleitorado e, sem palanque e com a mancha de justiceiro parcial no currículo, terá dificuldades para viabilizar sua candidatura a presidente no próximo ano.

Neste cenário, surge Luciano Huck. Homem hétero, branco, empresário de sucesso, filho de pais da classe média alta paulista, famosíssimo, casado com uma bela e igualmente famosa esposa e jeito de bom moço, Huck reúne uma biografia tão encantadora aos ricos quanto à classe média que adora playboys.

O apresentador foi, por exemplo, um dos mais entusiasmados defensores da candidatura do corrupto não confesso Aécio Neves – outro playboy bem nascido adorado pelas elites. Foi denunciado pelo Ibama (Instituo Brasileiro do Meio Ambiente) por força da propriedade irregular que tinha na paradisíaca ilha de Fernando de Noronha, considerada lesiva ao meio ambiente.

Trata-se do mesmo crime cometido em relação à sua mansão na ilha de Angra dos Reis, presente que o apresentador ganhou graças à generosidade do corrupto de carteirinha Sérgio Cabral (ex-governador do Rio de Janeiro, que está preso). Fora isso, Huck comanda um programa na tarde de sábado de cunho claramente assistencialista e popularesco, que lhe rende fortunas em anúncios e em merchandising.

Ou seja: o xodó da velha direita e da classe média fã de playboys para a sucessão presidencial é um Frankenstein metade João Dória e metade Silvio Santos. Não é um corrupto, como Sérgio Cabral, nem um demagogo carreirista, como Dória, mas está longe de ser honesto. E, pior, tem uma agenda para o Brasil confusa, inconsistente e de cunho neoliberal, mas envernizada pelas tintas do populismo e por uma estratégica de marketing eleitoral muito bem planejada.

Financiado pelas elites e abençoado pela classe média analfabeta política que acredita em heróis na Política, Huck caminha para ser um Joe Biden, o político que – diante da tragédia chamada Donald Trump – venceu as eleições para a Presidência dos EUA. A diferença é que o apresentador global não tem, nem de perto, o estofo do mandatário do país mais rico  o mundo. Triste para o Brasil que seja assim.

Foto: Divulgação / World Economic Forum

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