ESTUDO LIDERADO PELO BUTANTAN MAPEIA ENTRADA E DISSEMINAÇÃO DA VARIANTE DELTA NO BRASIL

Foto: José Fernando Ogura/AEN

Uma pesquisa liderada pelo Instituto Butantan identifica, pela primeira vez, os padrões da disseminação da variante delta pelo Brasil e a origem das introduções da linhagem no país. O estudo foi realizado a partir dos dados coletados pela Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2 do estado de São Paulo, conduzida pelo Butantan, que já sequenciou mais de 30 mil amostras do vírus causador da Covid-19. As informações são do Bem Paraná com assessoria.

Para caracterizar e contextualizar o caminho da delta, os pesquisadores reuniram também um conjunto de dados global e representativo disponível na plataforma GISAID (sigla para global initiative on sharing all influenza data), iniciativa que fornece acesso aberto a dados genômicos do vírus influenza e do coronavírus. Atualmente, estão depositados ali 170 mil genomas da variante delta.

De acordo com as análises, algumas das dez introduções ocorridas no Brasil até o final de setembro foram relacionadas com amostras da variante delta em circulação na Austrália e nos Estados Unidos, enquanto outras se relacionaram com amostras do Reino Unido. Quanto à transmissão comunitária, que já se encontrava estabelecida desde junho, foram detectadas ao menos quatro cadeias de transmissão independentes: no Rio de Janeiro, em Goiás, no Maranhão e no Paraná.

A pesquisa foi publicada na plataforma de preprints medRxiv (https://doi.org/10.1101/2021.09.15.21262846), com a condução do Instituto Butantan e participações do Hemocentro de Ribeirão Preto, da Universidade de São Paulo, da Universidade Estadual Paulista, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Fundação Oswaldo Cruz e da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo.

A variante delta e a CoronaVac
A variante delta é hoje responsável por 90% dos casos de Covid-19 no Brasil, registrados nos 26 estados e no Distrito Federal. De acordo com a Rede de Alerta das Variantes do SARS-CoV-2, a delta predomina no estado de São Paulo desde a 33ª semana epidemiológica (15 a 21/8). Na 42ª semana epidemiológica (17 a 23/10), ela correspondia a 99,7% das amostras sequenciadas pela rede, seguida pela variante P.1.7 (0,3%).

Os primeiros casos relatados de infecções no país estão associados a um navio cargueiro que partiu da Malásia em 27/3, e que havia passado pela África do Sul antes de chegar no Brasil, em 14/5, transportando mais de 20 tripulantes, seis deles positivos para delta. Já a primeira amostra da variante delta coletada na cidade de São Paulo é do final de junho e introdução na Grande São Paulo provavelmente chegou por Taubaté, partindo inicialmente do estado do Rio de Janeiro.

Uma das teses apontadas para que a delta não tenha causado tantos danos aos brasileiros é a vacinação realizada com a CoronaVac. No Chile, por exemplo, a variante não causou tantos danos quanto em outros países que não aplicavam a vacina desenvolvida pelo Butantan. Outro fator que contribui com a diminuição dos casos foi a variante gama, que infectou um alto número de pessoas no país e pode ter gerado uma imunidade na população contra a variante delta.

Do Bem Paraná.

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