EM MEIO À PANDEMIA, GASTOS DE DEPUTADOS E SENADORES DESPENCAM

EM MEIO À PANDEMIA, GASTOS DE DEPUTADOS E SENADORES DESPENCAM

Os deputados e senadores reduziram à metade os seus gastos a partir do início das sessões virtuais da Câmara e do Senado, mas as despesas com autopromoção continuaram altas. As despesas dos deputados com divulgação da atividade parlamentar chegaram a R$ 3,1 milhões no primeiro mês de quarentena – próximo da média mensal do ano passado: R$ 4,1 milhões. No Senado, esses gastos caíram de R$ 195 mil por mês no ano passado para R$ 154 mil no primeiro mês de sessões virtuais. As informações são de Lúcio Vaz, da Gazeta do Povo.

Considerando todas as despesas bancadas com dinheiro público, incluindo passagens aéreas, locação de veículos, combustível, consultorias, aluguel de imóveis, alimentação e hospedagem, a Câmara teve uma redução de R$ 17,3 milhões – média mensal do ano passado – para R$ 7,7 milhões no primeiro mês após o início das sessões virtuais, em 25 de março. No Senado, houve redução de R$ 2,2 milhões para R$ 1,06 milhão.

Nas duas casas, a diferença mais expressiva aconteceu na compra de passagens aéreas. Na Câmara, essa despesa caiu de R$ 4,8 milhões – média mensal de 2019 – para escassos R$ 30 mil nos primeiros 30 dias da quarentena. No Senado, a queda foi de R$ 620 mil no ano passado para apenas R$ 8,7 mil neste ano. Uma prova de que os parlamentares quase não se deslocaram entre a capital e seus estados.

Mas os gastos com locomoção não tiveram essa redução. Na Câmara, a locação de veículos caiu de uma média mensal de R$ 2,2 milhões para R$ 1,5 milhão. As despesas com combustível caíram de R$ 1,37 milhão no ano passado para R$ 418 mil no primeiro mês de quarentena. Ou os deputados aproveitaram a quarentena para visitar seus eleitores ou alugaram carros e deixaram na garagem.

Outra redução importante foi com alimentação – uma queda de R$ 107 mil por mês para apenas R$ 17 mil. Pelo menos por enquanto, está suspensa a farras dos banquetes ou jantares requintados com dinheiro público.

No Senado, essas despesas são agrupadas em locomoção, hospedagem, alimentação e combustível. Esses serviços caíram da média mensal de R$ 371 mil para R$ 233 mil. O senador Telmário Mota (Pros-RR) manteve o aluguel da sua picape Triton ao preço de R$ 18 mil por mês. O senador Messias de Jesus (Republicanos-RR) também não abriu mão da sua frota: um Jeep Compass e uma S-10 LTZ, por um total de R$ 19 mil.

Despesas pesadas na quarentena
Mesmo ficando em casa, os deputados e senadores contam com o trabalho de agências de propaganda e sites locais para a divulgação dos seus trabalhos e com consultorias parlamentares. O senador Márcio Bittar (MDB-AC), por exemplo, pagou despesas num total de R$ 50 mil no primeiro mês de sessões virtuais. A consultoria Ideias, Estratégia e Projetos, especializada na elaboração de projetos de lei, recebeu R$ 30 mil em 6 de abril. Mas o Senado já conta com 166 consultores na Consultoria Legislativa.

No dia 22 de abril, gastou mais R$ 20 mil com a Faria Consultoria e Advocacia, que faz consultoria jurídica em apoio à atividade parlamentar. Não conseguimos contato com o senador para detalhar mais essas despesas.

A senador Mailza Gomes (PP-AC) manteve o aluguel da caminhonete Triton, ao custo mensal de R$ 9,8 mil. O Senado recebeu notas fiscais nesse valor em 23 de março e 16 de abril. Ela também pagou R$ 10 mil para Firmino da Costa para a divulgação da sua atividade parlamentar. Em abril, também entrou mais uma parcela de R$ 5,4 mil do aluguel de móveis como cadeiras, mesas, armários, sofás, refrigeradores, notebook, cafeteira, num total de 48 unidades, feito em Rio Branco.

Autopromoção de deputados e senadores não cessou
A deputada Shéridan (PSDB-AC) gastou R$ 15 mil com a agência de publicidade MKS, que faz a cobertura da sua atividade parlamentar e cuida do seu marketing digital, com a criação de cards e vídeos para as suas redes sociais. Em 9 de abril, ela divulgou: “Tá na conta! Foram pagos R$ 3,6 milhões para a Saúde do nosso Estado, enviados por mim para nossas Unidades de Saúde”. Questionada pelo blog sobre a sua atuação, a deputado não respondeu.

A liberação dessa verba é parte do acordo firmado entre o Congresso Nacional e o presidente Jair Bolsonaro, que previu o redirecionamento de R$ 8 bilhões em emendas individuais e coletivas de deputados e senadores para ações do Ministério da Saúde, no combate ao coronavírus. Os parlamentares abriram mão dos recursos, mas não da paternidade das emendas.

O senador Márcio Bittar também adotou a autopromoção. Em 14 de abril, anunciou nas suas redes sociais: “Emendas individuais do senador Marcio Bittar garantem R$ 7,6 milhões para a saúde dos municípios acreanos”. Durante a quarentena, ele também pagou pela divulgação do seu mandato em sites do Acre.

O deputado Dagoberto Nogueira (PDT-MS) anunciou, em 14 de abril: “Nós, da bancada do MS, conseguimos a destinação de R$ 11,6 milhões para o combate ao coronavírus no MS”. Ele também gastou R$ 20 mil com a empresa Pereira e Góes Advogados, que faz consultoria e assistência jurídica e minuta de discursos e pareceres.

O senador e ex-presidente Fernando Collor (Pros-AL) seguiu o mesmo caminho, como mostramos em reportagem publicada no dia 6 deste mês. Em abril, ele pagou R$ 15 mil para a empresa Texto e Contexto, que faz assessoria de comunicação, e R$ 17 mil para a Superphoto, especializada em arquivo de imagens.

O deputado Carlos Bezerra (MDB-MT) gastou R$ 46 mil no período da quarentena, sendo R$ 20 mil para a empresa Marka Gráfica fazer a confecção de jornais para a divulgação da sua atividade parlamentar. A Tipo Agência de Publicidade recebeu mais R$ 15 mil para fazer a gestão e manutenção de redes e divulgação do seu mandato na web.

Foto: Leopoldo Silva / Agência Senado

Da Gazeta do Povo

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