É HORA DE DIZERMOS BASTA AO BOLSONARISMO RADICAL

É HORA DE DIZERMOS BASTA AO BOLSONARISMO RADICAL

Resgatar a História é preciso, sobretudo em uma Nação desmemoriada como a brasileira. Lembremo-nos do Ato Institucional Número 5, parido em 1968 pelo general Costa e Silva para – sob a proteção do Estado – reprimir e matar os adversários do regime militar.

Pois bem. Já não tenho nenhuma dúvida em afirmar: depois do AI-5, em nenhum outro momento recente da História Política do Brasil, a Constituição Federal, os Poderes Legislativo e Judiciário e as instituições democráticas foram tão afrontados, agredidos e ameaçados como estão sendo agora pelos bolsonaristas radicais. Tudo com o total apoio do presidente da República.

Falo não apenas do ocupante do Palácio do Planalto, mas sobretudo de seus três filhos (o vereador Carlos Bolsonaro, o deputado federal Eduardo e o senador Flávio); o ex-presidiário e ex-deputado Roberto Jefferson; a militante de extrema direita Sara Winter; o ministro da Educação, Abraham Weintraub; o general Augusto Heleno e todos os bolsonaristas radicais.

Alinhados com o que existe de mais arcaico e reacionário no campo da Política, as celebridades da extrema direita citadas acima passaram a semana afrontando as autoridades públicas com extrema virulência (inclusive o STF-Supremo Tribunal Federal) e agredindo cidadãos nas redes sociais. Seus seguidores foram além: desafiaram gente da oposição nas ruas, com a civilidade dos gladiadores na Roma Antiga.

Em um país sério, todos os autores destas ofensas e ameaças que não possuem foro privilegiado já teriam sido presos por desacato e abuso de autoridade, calúnia/difamação/injúria, afronta a princípios básicos da Constituição Federal e tantos outros crimes enquadrados pela legislação. No Brasil, porém, suas excentricidades autoritárias viram memes e geram apenas notas de repúdio da sociedade, em prova evidente de que banalizamos e internalizamos o bizarro. 

A sociedade precisa entender que o bolsonarismo radical já passou de todos os limites aceitáveis. Seus ataques não são exercício da liberdade de expressão, ao contrário do que afirmam; são afrontas às leis, à democracia e à ordem, produtos do mais tosco autoritarismo de que já tivemos notícia no Brasil – o mesmo que deu origem ao golpe militar de 1964.

A radicalização de extrema direita é alimentada por narrativas cada vez mais contundentes do chamado “gabinete do ódio”, que funciona no coração da República –  o Palácio do Planalto. Prova disso foi a frase que o presidente, em momento de fúria por causa das investigações contra sua família no Rio de Janeiro e pelas recentes derrotas impostas pelo Judiciário, pronunciou a frase “Acabou, porra!”, em uma nova ameaça às instituições.

Seu filho, Eduardo, foi além. Pelos mesmos motivos, teve a ousadia de afirmar que participa de reuniões nas quais se debate “quando” acontecerá o “momento de ruptura” no Brasil. O mesmo Eduardo que, em julho de 2018, afirmou que bastaria um cabo e um soldado para fechar o STF. E que afirmou ainda, em outubro de 2019, que o Brasil poderia ter um novo AI-5 caso os protestos contra o governo surgissem.

Se esta coleção de aparentes bravatas não constituem uma ameaça claríssima de aplicação de um golpe militar, estado de sítio ou outra medida absolutamente autoritária de supressão de direitos e de afronta aos demais Poderes, não entendo mais o que são democracia e Estado de Direito.

O fascismo instalado no Palácio do Planalto precisa ser contido. E logo. Ou o STF e as demais instâncias do Judiciário, todos os níveis do Legislativo (Municipal Estadual e Federal), a imprensa e as organizações democráticas combatem este câncer político com extremo rigor ou teremos uma guerra civil no Brasil, com tanques e confrontos armados entre civis nas ruas.

Ignorou-se o poder dos militares, em 1964. Deu no que deu, com todos os horrores trazidos pela ditadura militar nas décadas seguintes. Não deixemos ocorrer o mesmo no Brasil de 2020.  

Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil

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