DEPUTADOS DO PARANÁ SE MANIFESTAM SOBRE A SAÍDA DE SÉRGIO MORO

DEPUTADOS DO PARANÁ SE MANIFESTAM SOBRE A SAÍDA DE SÉRGIO MORO

Integrantes da bancada do Paraná na Câmara dos Deputados se manifestaram nas redes sociais, ao longo da tarde desta sexta-feira (24/04), sobre o pedido de demissão do ex-juiz federal Sergio Moro. Ele deixou a pasta da Justiça e Segurança Pública alegando tentativa de interferência do presidente da República, Jair Bolsonaro, na atuação da Polícia Federal. As informações são de Catarina Scortecci, da Gazeta do Povo.

Os dois deputados federais eleitos pelo PSL e que hoje trabalham na construção do Aliança pelo Brasil, Aline Sleutjes e Filipe Barros, lamentaram a saída de Moro, mas mantiveram o apoio a Bolsonaro.

Em sua conta no Instagram, Aline Sleutjes disse que “fomos pegos de surpresa” e agradeceu a Moro “por toda contribuição ao nosso País”. “Tenho absoluta certeza que o trabalho da Polícia Federal seguirá forte e imutável e que o novo ministro indicado por Bolsonaro continuará sua missão com responsabilidade e eficiência”, escreveu ela, que também publicou uma foto sua ao lado de Moro.

Filipe Barros se manifestou via Twitter após o pronunciamento de Bolsonaro, no final da tarde. “Lamento a saída de Sergio Moro, que fez um excelente trabalho na Lava Jato e no MJ. Lamento também a forma, preferindo comunicar à imprensa sua decisão antes de dialogar com Jair Bolsonaro, que lhe apoiou em seus momentos mais difíceis, como no caso Vaza Jato”, criticou Barros.

O terceiro parlamentar do Paraná também eleito pelo PSL, Felipe Francischini, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados, disse que “só me resta agradecer a Sergio Moro, pelo grande trabalho que fez”. “Com sua contribuição, aprovamos grandes projetos de combate ao crime na CCJ. Prisão em segunda instância, pacote anticrime, penas mais duras para traficantes, etc. Deixa o governo hoje, mas continua na história do Bandeira do Brasil”, escreveu ele, em sua conta no Twitter.

O pai de Felipe Francischini, o deputado estadual Fernando Francischini, que é secretário geral da Executiva Nacional do PSL e delegado federal licenciado, também se manifestou no Twitter: “Lamento profundamente a saída do meu amigo Sergio Moro do Ministério da Justiça, onde realizou um trabalho com grandes resultados! A Polícia Federal é patrimônio nacional e sua independência é fundamental. Perde o país e os brasileiros”.

Defensores do governo Bolsonaro e críticos de gestões petistas, os deputados federais Paulo Martins (PSC) e Reinhold Stephanes Junior (PSD) se manifestaram sobre o desentendimento entre os dois aliados no Twitter. “Já disse e vou repetir, é muito ruim para o governo Bolsonaro se Moro sair. Eu espero que não aconteça”, já dizia Martins antes da saída do então ministro. Mais tarde, escreveu: “Se os petistas comemoram, não pode ser bom. Dia muito ruim para o Brasil”.

Já Stephanes Junior escreveu no Twitter apenas antes do pronunciamento de Moro. Até 19 horas desta sexta-feira (24/04), a última mensagem de Stephanes Junior no Twitter era do dia anterior, e rejeitava a possibilidade da demissão. “Conversei com o ministro Sergio Moro, não pediu demissão. A turma torcedora do coronavírus, a esquerda mais uma vez se deu mal”, escreveu ele.

Petistas citam “pedido de pensão”
Os deputados federais paranaenses Ênio Verri, que é líder da bancada do PT na Câmara dos Deputados, e Gleisi Hoffmann, que é presidente nacional do PT, defenderam a investigação dos fatos colocados por Moro e reagiram ao pedido de “pensão à família”, mencionado pelo ex-juiz federal durante seu pronunciamento.

“Moro confessou um crime, que foi o de aceitar o cargo de ministro de Estado mediante a garantia de uma pensão. Nesse sentido, Moro se equivale a Bolsonaro, a quem acusa de desvirtuar as funções públicas para proteger os filhos. Esse fato deve ser investigado”, escreveu Verri. “Moro, Bolsonaro e o general Heleno têm obrigação de explicar a tal proteção financeira à família que ele exigiu para ser ministro. Isso é a nova política? Pagar ministro por fora? Isso é crime, gravíssimo”, escreveu Gleisi.

Para Gleisi, o pronunciamento de Moro “é uma confissão de crimes e uma delação contra Bolsonaro”. “Corrupção, pagamento secreto de ministro, obstrução de justiça, prevaricação. Moro tinha de sair da entrevista direto para depor na Polícia Federal”, disse a ex-senadora.

Gleisi e Verri também destacaram a autonomia da PF durante a gestão Dilma Rousseff, outro ponto levantado por Moro em seu pronunciamento desta sexta-feira (24/04). “Moro confirmou que, durante os governos do PT, a Polícia Federal teve total autonomia. Já Bolsonaro quer um diretor-geral que o informe sobre investigações sigilosas”, apontou Verri.

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