DEPUTADO QUESTIONA NA ALEP DADOS FINANCEIROS DO ESTADO

DEPUTADO QUESTIONA NA ALEP DADOS FINANCEIROS DO ESTADO

Da Folha de Londrina

O deputado Arilson Chiorato, recém-eleito presidente estadual do PT, apresentou na Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) um relatório questionando os dados financeiros do Estado. Segundo ele, a situação seria melhor do que a informada pela gestão Ratinho Júnior (PSD). O petista fala em aproximadamente R$ 4 bilhões em caixa, valor próximo também do que a ex-governadora Cida Borghetti (PP) dizia ter deixado para o sucessor.

A crise econômica e, consequentemente, a falta de dinheiro, foi o principal argumento usado para aprovar o fim da licença-prêmio dos servidores e para postergar o pagamento da data-base. “Peguei o primeiro relatório de gestão fiscal apresentado em 30 de janeiro deste ano e o que eles retificaram em 30 de julho, que aponta que existia de disponibilidade bruta no caixa menos restos a pagar R$ 4,1 bilhões”, afirma Chiorato. Os dados foram retirados, segundo ele, da Casa Civil.

“Os decretos emitidos durante o ano de excesso de arrecadação e de superávit financeiro levam a gente a uma situação de quase R$ 6 bilhões em caixa. Porém, você tirando dessa conta, fazendo uma visão mais conservadora do processo, as despesas empenhadas e não pagas, em torno de R$ 2 bilhões, fica em um número próximo a R$ 4 bilhões de disponibilidade”, explica.

Pelos cálculos do parlamentar, o governo poderia, por exemplo, comprar 20 mil coletes à prova de balas a um custo médio de R$ 1,3 mil (R$ 26 milhões), que equipariam todo o efetivo; contratar mil novos professores para a rede pública, com salário médio de R$ 2,5 mil (R$ 2,5 milhões/mês e R$ 30 milhões/ano) e ainda construir um hospital regional em cada mesorregião paranaense, ao custo variado entre R$ 15 milhões e R$ 30 milhões, totalizando R$ 300 milhões.

Questionado sobre o que faria a respeito dos números obtidos, o deputado comenta que já conversou com Tiago Amaral (PSB), vice-líder do governo Ratinho Júnior na Casa, que deve trazer uma resposta nessa segunda-feira (28). “Eu quero construir. O objetivo dessa busca é a melhoria das informações para o povo paranaense. Não se trata de queda de braço. É a gente buscar a verdade para tomar decisões. Essa Casa não pode votar sem números na mão”, opina o petista.

OUTRO LADO

Tiago Amaral confirma que o Executivo apresentará sua versão e adianta que os dados e interpretações são diferentes. “A gente respeita muito o deputado Arilson. Até em respeito a ele, eu já pedi que todos os pontos elencados por ele sejam de fato respondidos pelo governo do Estado e eu mesmo farei o contraponto disso na próxima sessão”, relata.

“É evidente que se essa fosse mesmo a condição do Estado nós não teríamos necessidade de contingenciamento, de outras ações de austeridade, porque o Estado estaria vivendo um momento único de plenitude da sua capacidade de investimento, o que não é a realidade. Não fosse assim a gente não teria tantos entraves. Claro que a gente respeita, mas todos esses números precisam ser aprofundados para não deixar nenhum tipo de dúvida”, acrescenta.

No final de setembro, ao prestar contas do quadrimestre na Assembleia Legislativa, o secretário de Estado da Fazenda, Renê Garcia Júnior, disse que a trajetória de gastos da administração estadual com pessoal era explosiva, que o crescimento com inativos chegava a R$ 2 milhões e que a oposição usava uma “aritmética perversa” para defender a reposição dos servidores. “Não existe espaço fiscal para nenhum aumento que não seja dentro do acordo pactuado com a Assembleia”, garantiu.

Foto: Dálie Felberg/Alep

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