DELTAN PEDIU PARA PROCURADORA THAMÉA DANELON ATUAR COMO “LARANJA”

DELTAN PEDIU PARA PROCURADORA THAMÉA DANELON ATUAR COMO “LARANJA”

Deltan Dallagnol não para! O coordenador da força-tarefa da operação Lava Jato no Paraná, incentivou manifestações populares dos grupos Vem Pra Rua e do Instituto Mude – Chega de Corrupção. Tentou influenciar na escolha do relator da Lava Jato no STF. Planejou pressionar o Ministro Alexandre de Moraes a votar a favor da prisão em segunda instância. E, não bastasse, pediu para a procuradora Thaméa Danelon (foto) atuar como “laranja”, enquanto ele permaneceria “na sombra”.

As informações foram obtidas pelo site The Intercept Brasil e divulgadas nesta segunda-feira (12).

PLANO DE DELTAN DALLGANOL PARA USAR MOVIMENTOS PARA INFLUENCIAR NA ESCOLHA DO RELATOR DA OPERAÇÃO NO STF

As mensagens reveladas apontam que as conversas de Deltan com lideranças dos grupos se deram em janeiro de 2017. Mais precisamente, no dia seguinte à morte do ministro Teori Zavascki, até então, então relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal. O intuito do plano era influenciar a escolha do novo relator da operação Lava Jato no STF – Supremo Tribunal Federal.

Em mensagem enviada a Fabio Alex Oliveira, líder do Instituto Mude, Dallagnol disse:

De início, agradeci o apoio do movimento etc. 1. Falei que não posso posicionar a FT [força-tarefa Lava Jato] publicamente, mesmo em off, quanto a Ministros que seriam bons, pq podemos queimar em vez de ajudar.”

Mas, em conversa com a ex-integrante da Lava Jato na PGR, Anna Carolina Resende, Deltan diz que chegou a pedir para que o ministro Luís Roberto Barroso disputasse a relatoria da operação Lava Jato no STF no lugar de Teori:

Ele ficou alijado de todo processo. Ninguém consultou ele em nenhum momento. Há poréns na visão dele em ir, mas insisti com um pedido final. É possível, mas improvável.”

O curioso é que Deltan Dallanol, ao final, pediu à Anna Carolina Resende que não comentasse com ninguém sobre a conversa.

PLANO DE DELTAN DALLGANOL PARA USAR MOVIMENTOS PARA PRESSIONAR O MINISTRO ALEXANDRE DE MORAES

Já em outro diálogo, com a procuradora da Lava Jato em São Paulo, Thaméa Danelon, Deltan propôs utilizar movimentos para pressionar o ministro Alexandre de Moares a apoiar a prisão em segunda instância.

O procurador escreveu:

Temos que reunir infos de que no passado apoiava a execução após julgamento de SEGUNDO grau e passar pros movimentos baterem nisso muito.”

A procuradora Thaméa Danelon se propôs a contribuir com o plano de Deltan Dallagnol:

Ok. Eu posso passar para os movimento. Para o Vem pra Rua e Nas Ruas.”

Alexandre de Moraes tinha sido recém empossado ministro no STF. Justamente na vaga deixada por Teori, que apoiava a prisão em segunda instância. O medo de Deltan era que, se Alexandre entendesse pela prisão após o trânsito em julgado das ações penais, e não em segunda instância, o entendimento do STF como um todo seria mudado.

PLANO DE DELTAN DALLGANOL PARA PROCURADORA ATUAR COMO “LARANJA” E INDUZIR MOVIMENTOS A MANIFESTAR APOIO A PROJETO DE LEI

Deltan Dallagnol, em outra oportunidade, pediu para a procuradora Thaméa Danelon atuar como “laranja” e induzir os movimentos a divulgar em suas redes sociais, apoiamento ao projeto de lei que tratava das 10 medidas contra a corrupção:

Se Vc topar, vou te pedir pra ser laranja em outra coisa que estou articulando kkkk. Um abaixo assinado da população, mas isso tb nao pode sair de nós? o Observatório vai fazer. Mas não comenta com ng, mesmo depois. Tenho que ficar na sombra e aderir lá pelo segundo dia. No primeiro, ia pedir pra Vc divulgar nos grupos. Daí o pessoal automaticamente vai postar etc.”

Como se extrai da mensagem, a proposta de Deltan é que a procuradora Thaméa Danelon atuasse como “laranja” enquanto ele permaneceria “na sombra”. E, claro, com pedido para que a procuradora não comentasse com ninguém. Mesmo depois.

Ao Intercept, o Ministério Público Federal do Paraná informou que “é lícito aos procuradores da República interagir com entidades e movimentos da sociedade civil e estimular a causa de combate à corrupção”. Repetiu ainda que “não reconhece as mensagens que têm sido atribuídas a seus integrantes nas últimas semanas”.

Foto: Coluna Extra

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