DELTAN DALLAGNOL FALA SOBRE ACUSAÇÕES

Em entrevista para a revista Época, o procurador Deltan Dallagnol (foto) se pronunciou sobre as diversas acusações que recaem sobre si. Entre as quais, o fato de ter trabalhado pelo impeachment do ministro Gilmar Mendes. Falou também sobre a possibilidade de deixar a força tarefa da operação Lava Jato.

O coordenador da Lava Jato trabalhou com afinco para combater a corrupção. Ninguém questiona que conseguiu resultados jamais vistos no país. Todavia, mensagens trocadas entre membros da força-tarefa tem revelado diversos afrontas à legislação e à Constituição Federal cometidas pela Lava Jato.

Para Deltan, o bombardeio que vem sofrendo em razão dos vazamentos de mensagens trocadas do seu telefone é uma reação do sistema que ele trabalha para derrubar:

Ninguém jamais nos disse que seria fácil enfrentar pessoas poderosas que praticaram crimes gravíssimos contra nosso país. Ninguém jamais nos prometeu isso. Fizemos nosso papel e agora enfrentamos uma reação. Nossa expectativa é que as instituições e a sociedade protejam o trabalho feito e impeçam retrocessos. Eu não devo, e a Lava Jato não deve.

Com relação às acusações de ter investigado os ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, Deltan nega. O procurador diz jamais ter investigado ministros do STF. Todavia, admitiu ter tratado com seus colegas sobre o cabimento de impeachment contra Gilmar:

Estudamos se os atos dele configurariam, para além de atos de suspeição, infrações político-administrativas

Admitiu também ter debatido a criação de empresa que seria gerida pela sua esposa para administrar suas palestras. Segundo Deltan, isso seria totalmente legal. E reclamou os ataques que vem sofrendo:

Existe um oportunismo de buscar e identificar qualquer brecha para atacar a operação, distorcer fatos e atacar os personagens que acabaram tendo protagonismo na operação. E o objetivo disso, a meu ver, não é atacar a pessoa do Deltan, a pessoa do Moro. É atacar o caso, a Lava Jato. 

Dallagnol se disse ainda iludido por ter acreditado que a Lava Jato poderia mudar o sistema político do país:

O que a sociedade precisa reconhecer é que não é suficiente um grupo de procuradores, policiais, juízes, auditores, de pessoas, lutarem contra o sistema corrupto. Talvez a ilusão tenha sido em algum momento acreditar que a Justiça iria se sobrepor ao sistema político.

Aos 39 anos, Deltan Dallagnol balança na função de coordenador da força tarefa da operação Lava Jato. É alvo de investigação por parte do Conselho Nacional do Ministério Público. Tem recebido inúmeras críticas do poder judiciário, principalmente do STF. E é o principal alvo de um movimento crescente do Congresso Nacional que trabalha pela instauração de uma CPI para apurar excessos e ilícitos cometidos pela força tarefa.

Foto: Revista Época

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