DÉFICIT DE PESSOAL EM HOSPITAIS MUNICIPAIS SE AGRAVA COM VÍRUS

Prestes a ver aumento inédito da demanda devido ao coronavírus, o sistema hospitalar do município de São Paulo tem um déficit de funcionários de 40%, segundo auditoria do TCM (Tribunal de Contas do Município). As informações são de Artur Rodrigues e Mariana Grazini, da Folha de São Paulo.

A escassez de funcionários é agravada por uma alta no afastamento de profissionais. A prefeitura de São Paulo diz que, desde o primeiro caso confirmado de Covid-19 na cidade, registrou 1.841 afastamentos por quadros de síndrome respiratória, incluindo os de funcionários das áreas administrativas.

Segundo a prefeitura, o número de afastados representa 9,3% de 19.675 funcionários da Autarquia Hospitalar Municipal; destes, 95 são casos confirmados de Covid-19.

O relatório do TCM sobre o déficit de funcionários foi publicado no ano passado, com retrato do quadro em 2018. A falta de profissionais é calculada pela relação entre o número de funcionários permitidos por lei e o total de trabalhadores em atividade.

O Sindsep afirma que situação de déficit vem se agravando. “Estávamos organizando campanhas desde novembro do ano passado para a contratação de profissionais. Nós estávamos vendo problema nos hospitais antes do coronavírus e agora temos mais afastamentos”, diz Sérgio Antiqueira, presidente da entidade.

De acordo com o relatório do TCM, o déficit de funcionários vem aumentando ano a ano. O documento diz que há 11.125 profissionais e um déficit de 7.591 (40,6%).

No saldo de servidores com nível superior, a falta de profissionais é maior que a média geral, atingindo 48,4%, com escassez de 3.408 profissionais. Segundo o documento, o déficit de médicos é de quase 56%, ou 2.225 funcionários.

No caso de nível médio, que inclui técnicos em enfermagem, há falta de 3.436 profissionais, déficit de 32,6%. O maior déficit é de profissionais do nível básico, de 65,4%.

“Verifica-se que houve uma piora em relação ao preenchimento das vagas estipuladas na TLP (Tabela de Lotação Pessoal”, diz o relatório. “A porcentagem de déficit não se reduziu, considerando o déficit geral de 2018, de 40,6% e o déficit de médicos de 2018 (55,9%)”.

Ainda segundo o documento, as reclamações da população têm relação com o problema. “As reclamações com maior volume referem-se, principalmente, à demora do atendimento e à rotina/protocolos da unidade de saúde.”

Em meio à falta de profissionais, dados do Sindsep mostram que explodiram as licenças de mais de 14 dias, prazo do protocolo de afastamento por suspeita de coronavírus.

Segundo análise do sindicato obtida com exclusividade pela Folha, o número de licenças cresceu 111% comparando-se a quantidade de licenças emitidas entre 1o e 14 de março (360) e entre 15 e 28 de março (761).

Além disso, segundo o sindicato, “o que chama a atenção, confirmando as suspeitas iniciais, foi o crescimento de licenças de 14 e 15 dias, que subiu de 11 emissões na primeira quinzena para 283 na segunda”. O órgão analisou 1.228 afastamentos com início no mês de março, entre os dias 1o e 31.

Em nota, a prefeitura afirma que a AHM prevê a contratação de mais de 2.000 funcionários para reforço das equipes.

De acordo com os dados do Sindsep, a situação é pior no Hospital Municipal Dr. Carmino Caricchio, conhecido como Hospital do Tatuapé, onde dois trabalhadores morreram e há o maior número de afastamentos, 84. Neste local, há denúncias de falta de equipamentos de segurança para funcionários.

Segundo o balanço da entidade, houve 45 afastamentos no Hospital Ermelino Matarazzo e 44 no Hospital Dr. Fernando Mauro Pires da Rocha, do Campo Limpo.

Da Folha de São Paulo

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