CONGRESSO PRECISA IGNORAR O PRESIDENTE E SOCORRER O PAÍS

CONGRESSO PRECISA IGNORAR O PRESIDENTE E SOCORRER O PAÍS

O ano é 2020. O mundo enfrenta uma grave crise provocada por uma pandemia de gripe que mata milhares. Países declaram toque de recolher, proíbem voos internacionais de companhias aéreas, fecham fronteiras. No Brasil, depois de sucessivos escândalos de corrupção do PT, a Presidência da República está nas mãos de Jair Bolsonaro. As informações são de Robson Bonin na Veja.

É um roteiro de filme de terror. Os mortos pelo coronavírus não viram zumbis, como na ficção científica, mas não é possível dizer que o povo visto nas ruas nesse domingo arriscando a própria saúde para pedir o fechamento do STF, do Congresso e o retorno da ditadura militar, tenha juízo.

Controlado por um governo de rede social, que insiste em manter suas ações num universo paralelo de conspiratas e paranoias, o país entra no quarto mês da crise do coronavírus sem que o presidente da República perceba o tempo perdido e a gravidade do momento.

Em condições normais, a classe política já joga fora o mês de janeiro, em um recesso de 30 dias que acaba gostosamente estendido até o carnaval. Lá se foram fevereiro e um pedaço de março.

Perdemos quase três meses até que a política comece, de fato, a pensar nas coisas importantes. É esse o momento em Brasília. Desde a semana passada, graças à inoperância de Bolsonaro e os interesses laterais do Congresso, a agenda realmente importante ao país está em segundo plano diante de uma briga por um pedaço do orçamento.

Em vez de discutir reformas e aprovar projetos que destravem a economia, melhorando o ambiente para quem produz e estimulando a retomada dos empregos, a política se consome em intrigas e nas oportunidades inconfessáveis que surgem nesse clima de “quanto pior, melhor”.

Em tempos normais, já seria uma desgraça. Com um vírus mortal se espalhando rapidamente pelo país, inclusive ameaçando tragar o Parlamento, a janela produtiva do ano chega a um momento crucial nesta semana. Chega de perder tempo. É hora de votar.

A depender das decisões tomadas pelos que conduzem a política, o país poderá jogar fora 2020. Com o primeiro trimestre no fim e um calendário eleitoral que inviabilizará boa parte do segundo semestre, os líderes precisam assumir responsabilidades.

É quase ingenuidade esperar responsabilidade de um presidente que viola a própria quarentena do coronavírus para estimular os protestos que jurou não apoiar. Fato é que alguém precisa assumir o comando político do país. Que seja Davi Alcolumbre ou Rodrigo Maia, ou os dois juntos, mas medidas devem ser tomadas para que o ano não seja perdido.

A crise econômica global que se anuncia não permite que se brinque com o futuro do país, como faz Bolsonaro e, por tabela, o Congresso, quando entra nas suas provocações. Deixem o presidente brincando no “zap” e nas redes sociais dentro da bolha de puxa-sacos palaciana que só fala o que ele quer ouvir e que é incapaz de lhe apontar o certo e o errado. No mundo real, faltam máscaras e álcool gel nas farmácias e o Ministério da Saúde já está orientando a todos sobre como preparar o estoque para uma quarentena.

Há um roteiro de propostas a ser votado. Como bem disse Delfim Netto sobre as 19 matérias prioritárias de Paulo Guedes, “quem tem vinte prioridades não tem nenhuma”. Está fácil ao Parlamento. É só escolher uma reforma, das tantas na lista, e votar. E outra. E outra.

Se não quiserem colocar o ano todo a perder, Alcolumbre, Maia e seus liderados no Senado e na Câmara devem seguir o conselho de um ministro do STF, revelado ao Radar, sobre como tratar as provocações de Bolsonaro e sua trupe: “O Bolsonaro agora a gente trata como aquele tio bêbado na festa. Não dá para ficar discutindo com ele”.

Foto: Mauro Pimentel/AFP

Da Veja

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *