CONCENTRAÇÃO DE MÉDICOS NA CAPITAL GERA RISCO DE COLAPSO NO INTERIOR DO PR

CONCENTRAÇÃO DE MÉDICOS NA CAPITAL GERA RISCO DE COLAPSO NO INTERIOR DO PR

Com uma taxa de 2,36 médicos para cada mil habitantes, o Paraná é a sexta unidade federativa com a maior quantidade per capita desses profissionais no Brasil. Apesar disso, 46,47% estão concentrados na capital do estado, o que faz com que municípios menores se vejam em risco de colapso por falta de médicos em caso de avanço do novo coronavírus. Confira a evolução dos casos no Paraná. As informações são de Célio Yano, da Gazeta do Povo.

Os dados são de um levantamento feito pela Gazeta do Povo a partir de registros atualizados de profissionais médicos no Conselho Federal de Medicina (CFM) e no Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM-PR) e da estimativa populacional de 2019 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A distribuição irregular de médicos entre capital e interior é histórica e se repete também em outros estados brasileiros. Segundo o médico Francisco Carlos Mouzinho de Oliveira, tutor principal do programa Mais Médicos no estado, até o momento a situação está sob controle, mas existe um risco real de colapso dos sistemas de saúde de pequenos municípios em razão da baixa oferta de médicos.

“Dependendo do modelo de assistência, pode ser necessário ou não a presença de mais profissionais”, explica o médico. “O modelo que prioriza atenção básica, onde 80% dos problemas são resolvidos, pressupõe uma necessidade grande de médicos. É esse modelo que vai desafogar os hospitais, que respondem por cerca de 20% dos problemas de saúde.”

Desde o início da pandemia do coronavírus, a Universidade Federal do Paraná (UFPR), responsável por supervisionar os profissionais do Mais Médicos, passou a monitorar semanalmente a situação de cada município para se antecipar a qualquer emergência. “Se acontecer um surto, vamos saber de antemão, porque temos uma capilaridade muito grande”, diz Oliveira, que também é professor do Departamento de Saúde Coletiva da UFPR.

Segundo ele, até agora a percepção em grande parte das cidades é de que as unidades básicas de saúde estão até mais vazias do que antes do início da pandemia, em razão da menor circulação de pessoas e das orientações para procurar os postos apenas em casos mais graves.

Na relação de médicos por mil habitantes, o Paraná está ligeiramente acima da média do país (2,35) e fica atrás apenas de Distrito Federal (4,53), Rio de Janeiro (3,73), São Paulo (3,08), Rio Grande do Sul (2,84), Espírito Santo (2,57) e Minas Gerais (2,54). Mas, considerando apenas Curitiba, o índice é 172% maior que o do estado, ficando em 6,4.

A Organização Mundial da Saúde desaconselha comparações entre países utilizando pura e simplesmente a razão médico-habitante, porque há diferenças diversas na realidade de cada região, como extensão do território, sistema de saúde adotado, nível socioeconômico, perfil demográfico e epidemiológico, entre outros.

Para o presidente do CRM-PR, Roberto Yosida, há uma dificuldade de médicos se fixarem em cidades pequenas porque não há perspectiva de crescimento profissional fora dos grandes centros. “O ideal era que houvesse uma carreira no estado como há para o Judiciário, em que há um incentivo para o profissional ir para municípios pequenos e ir galgando cargos em cidades maiores”, diz. Apesar disso, Yosida considera que o Paraná é privilegiado quando comparado a outros estados. “O aspecto geográfico permite que polos regionais supram uma certa demanda dos municípios pequenos.”

A reportagem questionou a Secretaria de Estado da Saúde se há alguma preocupação do governo estadual com relação à distribuição de médicos no interior do estado neste momento de pandemia, mas não obteve retorno. As contratações para as unidades básicas de saúde e unidades de pronto atendimento são de responsabilidade dos municípios.

Da Gazeta do Povo

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