BRASIL ULTRAPASSA A MARCA DE 70 MIL MORTOS PELO NOVO CORONAVÍRUS

BRASIL ULTRAPASSA A MARCA DE 70 MIL MORTOS PELO NOVO CORONAVÍRUS

De cada cem municípios brasileiros, 91 têm menos de 70 mil habitantes. Talvez isso ajude a enxergar a gravidade da situação em que o país se encontra na pandemia. Porque mais de 70 mil vidas se perderam. É um contingente que supera o número de moradores de nove em cada dez cidades do país. São muitas mortes em um intervalo muito curto. É uma tragédia comparável a outras que o Brasil testemunhou. Mas maior. As informações são do Jornal Nacional.

Como entender o tamanho desta pandemia? São 211 milhões de brasileiros num país continental. Mais de 1,8 milhão já pegaram a Covid-19.

O Brasil registrou a primeira morte por Covid no dia 12 de março; 68 dias depois, em maio, o país ultrapassou a marca de mil mortes registradas em 24 horas. Foram mais de 53 mil mortes de lá pra cá. Cinquenta e três dias, o que dá uma média de mais de mil a cada dia.

Para se ter uma dimensão da tragédia, o acidente com o avião da TAM, que chocou o país em 2007 matou 199 pessoas. É como se fossem cinco acidentes como aquele, todos os dias.

“Um desastre. Nós estamos num platô mantendo mais de mil mortes por dia durante muito tempo. Não adianta falar em números. Muitas pessoas não se conscientizaram da gravidade da situação. Elas ouvem os números, um número elevado, mas vão para a rua fazer exatamente tudo ao contrário do que nós estamos recomendando”, lamenta o epidemiologista da UFRJ e especialista em saúde pública Roberto Medronho.

Especialistas em epidemias afirmam que não há registros no Brasil de um episódio que seja responsável por tantas mortes em tão pouco tempo como a pandemia do novo coronavírus. E, se formos buscar no passado uma situação que seja, ao menos, comparável, vamos precisar ir muito longe. Mais de um século atrás: 1918, quando o mundo ainda voltava a respirar da Primeira Guerra Mundial. Novamente faltou o ar.

A gripe espanhola se espalhou pelo planeta. Cerca de 50 milhões de mortes. No Brasil, foram 35 mil mortes. Metade do que a Covid atingiu hoje.

A taxa de letalidade da gripe espanhola no país foi de 116 óbitos a cada 100 mil habitantes. A da Covid-19 agora já passa de 30 mortes a cada 100 mil habitantes. Menor, mas o especialista em epidemias Stefan Cunha, lembra da fragilidade de recursos disponíveis à época para combater a gripe espanhola. E não só quanto aos equipamentos de proteção individual.

“A gente não tinha UTI, e a gente não tinha aparelho respirador para pessoas que pioravam e a gente não tinha antibiótico para as infecções secundárias bacterianas”, diz.

A Suely Moreira é enfermeira no hospital de referência para a Covid em Brasília. Ela e os colegas percebem dia a dia o avanço da doença. Vários se contaminaram, inclusive ela. Um colega morreu na semana passada.

“As pessoas estão perdendo a noção. A quantidade de pessoas aglomeradas está levando a uma contaminação cada vez maior de pessoas. E essas pessoas acabam sobrecarregando o trabalho hospitalar. Se as pessoas continuarem tendo essa postura, eu acredito que nós vamos viver um caos”, comenta.

E a atual média diária de mortes pela Covid-19 já é maior do que a média das principais causas de morte no Brasil. Como o câncer e doenças cardíacas. A Covid já causa 4 vezes mais mortes do que influenza e pneumonia. O mundo convive com uma doença sem precedentes. E ainda sem vacina.

“Esse vírus tem uma mortalidade considerável e uma facilidade de se alastrar muito fácil, então não dá para gente brincar com esse vírus”, diz o especialista Stefan Cunha.

Foto: Reprodução

Do Jornal Nacional

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