AS ELEIÇÕES NA CÂMARA E NO SENADO PRENUNCIAM O CENÁRIO DE 2022

AS ELEIÇÕES NA CÂMARA E NO SENADO PRENUNCIAM O CENÁRIO DE 2022

Independentemente do resultado da sucessão nas Presidências da Câmara Federal e do Senado, o fato é que a disputa antecipa o provável cenário das composições políticas que ocorrerão na sucessão presidencial de 2022. E, neste cenário, a oposição larga com clara desvantagem.

Isso não se deve apenas à notória máquina de produzir altos salários e incontáveis cargos na estrutura generosa do Governo Federal, que coopta aliados com a mesma facilidade com que criadores fazem galinhas caipiras saltarem dos puleiros diante da sua dose diária de ração.

Deve-se também à incapacidade dos partidos de oposição de unificarem seu discurso e sua prática na defesa de um candidato único na eleição pelo comando das duas Casas. Registre-se: o principal responsável por isso é o PT, protagonista da esquerda e principal partido de oposição ao governo de Jair Bolsonaro.

Na bancada do partido na Câmara, como aponta a repórter do UOL Luciana Amaral, a vitória dos apoiadores do candidato Baleia Rossi (MDB-SP) foi obtida pela apertada margem de 27 a 23 votos.

Indica, portanto, um racha difícil de ser justificado pelo partido, considerando que o candidato de Bolsonaro na disputa – o deputado Arthur Lira (PP/AL) – é um parlamentar com perfil conservador e anti-petista, que defende uma agenda longe da proposta pelo PT nas últimas quatro décadas.

No Senado, o cenário é ainda mais vexaminoso para o partido de Luiz Inácio Lula da Silva. Contrariando a lógica e até sua história, a legenda decidiu apoiar o mesmo candidato de Bolsonaro, o senador Rodrigo Pacheco (DEM/MG).

As explicações para essa tomada de posição: 1) O interesse do PT de obter o comando de duas comissões que considera cruciais – meio ambiente e direitos humanos. Se apoiasse o candidato da oposição, o partido teria o controle de uma única comissão. E 2) O fato de a legenda se recusar a apoiar o(a) candidato(a) do PMDB na disputa –   Simone Tebet (MS), Eduardo Braga (AM), Eduardo Gomes (TO) ou Fernando Bezerra Coelho (PE) – pelo fato de considerá-los “golpistas”, como Michel Temer.

O cenário não é diferente nas demais legendas da oposição, como o PDT, PSB, Rede e o PSOL. O outrora homogêneo PSOL, por exemplo, vai apoiar a candidatura avulsa da veterana Luiza Erundina (SP), mas não sem antes expor seu racha entre os que preferiam engrossar o nome de Baleia Rossi por considerá-lo mais viável, eleitoralmente.

Este balaio de gatos na oposição antecipa o cenário eleitoral que teremos em 2022 dada a importância que a eleição nas duas Casas terá não só no provável engavetamento definitivo dos pedidos de impeachment de Jair Bolsonaro, mas porque representa um ensaio dos acordos que podem ser feitos na disputa presidencial.

Ainda que esteja longe de ser unanimidade e só consiga se manter forte no Congresso Nacional à custa da mais deslavada barganha política e da sucessão de bravatas que tanto agrada sua tropa, Jair Bolsonaro prossegue sendo a maior liderança política do País – e por isso mesmo, até agora, favoritíssimo à conquista de um novo mandato. 

Já a oposição patina na construção de um nome hegemônico pela ausência de consenso em torno das agendas e dos interesses políticos difusos de cada partido, da sua incapacidade de mobilizar as massas por causa da covid-19 e da sua impossibilidade de cooptar cargos públicos, como ocorreu nos governos Lula e Dilma Rousseff.

O cenário para a sucessão presidencial de 2022, portanto, segue em aberto – mas cada vez mais previsível. Em bom português: se a oposição não construir e aplicar uma fortíssima e coesa narrativa – associada a uma prática política consistente – em torno de um nome, vai amargar mais quatro anos de ostracismo. Ruim para a esquerda, péssimo para o Brasil.

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