ARAS PEDE PARA ABRIR INVESTIGAÇÃO SOBRE ACUSAÇÕES DE MORO CONTRA BOLSONARO

ARAS PEDE PARA ABRIR INVESTIGAÇÃO SOBRE ACUSAÇÕES DE MORO CONTRA BOLSONARO

O procurador-geral da República, Augusto Aras, pediu na tarde desta sexta-feira (24/04) a abertura de um inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para apuração dos fatos narrados por Sérgio Moro. Em pronunciamento realizado mais cedo no dia de hoje, o ex-juiz da Operação Lava Jato anunciou que estava deixando o Ministério da Justiça e Segurança Pública e também acusou o presidente da República, Jair Bolsonaro, de tentar realizar “interferência política” na Polícia Federal (PF).

No procedimento, Aras pede a oitiva de Sergio Moro, “a fim de que o ex-juiz apresente manifestação detalhada sobre os termos do pronunciamnto, com a exibição de documentação idônea que eventualmente possua acerca dos eventos em questão”.

Pela fala do ex-ministro, destaca ainda o PGR, pode se vislumbrar, em tese, a tipificação de delitos como: falsidade ideológica, coação no curso do processo, advocacia administrativa, prevaricação, obstrução de Justiça, corrupção passiva privilegiada, ou mesmo denunciação caluniosa, além de crimes contra a honra (nos dois últimos casos, crimes que possivelmente teriam sido cometidos por Moro, no caso de as acusações serem falsas).

A maior parte do pedido de Aras traz simplesmente uma transcrição das declarações do ex-ministro da Justiça, com destaque especial a alguns trechos, em especial aqueles nos quais Sergio Moro falou sobre as tentativas de interferência do presidente da República no comando da PF, como se pode ver nos exemplos abaixo.

“Ontem conversei com o presidente houve essa insistência. Falei que seria uma interferência política. Ele disse que seria mesmo. Falei que isso teria um impacto pra todos que seria negativo. mas para evitar uma crise durante uma pandemia, não tenho vocação para carbonário, muito pelo contrário. acho que o momento é inapropriado para isso, eu sinalizei então vamos substituir o Valeixo por alguém que represente a continuidade dos trabalhos, alguém com perfil absolutamente técnico e que fosse uma sugestão minha também, mas na verdade nem minha, da polícia federal. (…) O presidente me disse mais de uma vez, expressamente, que queria ter uma pessoa do contato pessoal dele que ele pudesse ligar, colher informações, colher relatórios de inteligência, seja diretor-geral, superintendente e realmente não é o papel da polícia federal prestar esse tipo de informação (…) O presidente me disse isso expressamente, ele pode ou não confirmar, mas é algo que realmente não entendi apropriado. (…) O presidente também me informou que tinha preocupação com inquéritos em curso no STF e que a troca também seria oportuna da Polícia Federal por esse motivo. Também não é uma razão que justifique a substituição e é até algo que gera uma grande preocupação.”

Foto: José Cruz/ Agência Brasil

Do Bem Paraná

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