APÓS POLÊMICA, ELEIÇÃO DEFINE LISTA TRÍPLICE PARA REITOR DA UFPR

APÓS POLÊMICA, ELEIÇÃO DEFINE LISTA TRÍPLICE PARA REITOR DA UFPR

O colégio eleitoral do Conselho Universitário da Universidade Federal do Paraná (UFPR) definiu, em votação realizada na tarde desta quarta-feira (30/09), a lista tríplice que será encaminhada ao presidente Jair Bolsonaro, com os indicados para o cargo de reitor da universidade. O atual reitor, Ricardo Marcelo Fonseca, encabeça a lista, com 32 votos. A lista tríplice é completada com os nomes dos professores Marcos Ferraz (13 votos) e Maria Rita de Assis Cesar (12), que se inscreveram para o processo eleitoral na última segunda-feira. Segundo colocado na consulta pública à comunidade universitária, realizada no início do mês, o professor Horácio Tertuliano ficou em quarto lugar, com seis votos, fora da lista tríplice. As informações são de Roger Pereira, da Gazeta do Povo.

A eleição interna na UFPR transformou-se em uma guerra de interpretações dos regimentos por causa das recentes decisões do presidente Bolsonaro de não seguir o padrão de nomear o primeiro colocado (o mais votado) das listas tríplices para o cargo de reitor nas universidades federais. Historicamente, nas eleições internas da UFPR, os candidatos derrotados na consulta pública, que não tem valor legal, retiravam suas candidaturas do colégio eleitoral. A partir daí, o Conselho Universitário elaborava a lista tríplice com o nome do vencedor dessa “eleição informal” feita entre professores, funcionários e alunos, e outros dois nomes indicados pelo Conselho apenas para completar a relação, uma vez que o nome mais votado sempre foi referendado pelos presidentes da República, desde o governo Sarney.
Com a postura de Bolsonaro de não confirmar a indicação do cabeça da lista, Tertuliano, que é mais alinhado politicamente com o presidente, não retirou a candidatura, apesar de ter recebido apenas 14% dos votos da comunidade acadêmica, contra 83% do atual reitor (apenas os dois candidatos estavam inscritos no processo durante a consulta pública). A expectativa inicial era que o Conselho indicasse apenas mais um nome e enviasse a lista tríplice para Brasília.

Em reunião no último dia 24, no entanto, o Conselho Universitário fez uma interpretação diferente de seu regimento, amparado por uma consulta enviada ao Ministério da Educação (MEC), e reabriu o prazo de inscrição para novos interessados ao cargo de reitor. Dois novos nomes foram apresentados e o bate-chapa teve então quatro concorrentes no colégio eleitoral. Horácio Tertuliano acabou derrotado.

Na última terça-feira, Tertuliano ingressou com mandado de segurança na Justiça Federal do Paraná, pedindo liminar para suspender a votação. A juíza federal Anne Karina Stipp Amador Costa indeferiu o pedido, dando autonomia ao colégio eleitoral do Conselho Universitário para a realização da eleição.

Antes da reunião na tarde desta quarta, o coordenador da chapa de Tertuliano, Arion Zandoná Filho questionou o que chamou de manobra do Conselho para excluir Horácio da lista. “As inscrições dos candidatos a reitor foram homologadas em julho. Daí, na segunda-feira, surgem dois novos candidatos, que não apresentaram proposta, não participaram de debate, apenas para deixar o Horácio de fora”, criticou. “O professor Ricardo Marcelo diz ter quase que unanimidade do conselho. Se ele não obtiver votação maciça, é muito estranho. O conselho estará indo contra o processo deles mesmos ou vários conselheiros seriam convencidos, em dois dias, de que os dois candidatos que sequer apresentaram propostas são melhores e mais preparados que o atual reitor”, ironizou.

A lista tríplice será encaminhada a Brasília para decisão do presidente Jair Bolsonaro, que pode, no entanto nomear um reitor fora da lista.

Ricardo Marcelo comentou o resultado da votação e disse esperar que o governo federal respeite a vontade da comunidade universitária. “Estamos muito contentes que nos dois processos que aconteceram, tanto na consulta informal à comunidade feita pelas entidades, quanto neste processo formal feito pelo colégio eleitoral, tivemos votação expressiva. Que essa legitimidade interna e esse reconhecimento acabem sendo reconhecidos também pelo governo federal. É o que nós esperamos”.

Foto: Samira Chami Neves / UFPR

Da Gazeta do Povo

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