APÓS 100 MIL MORTES POR COVID-19, MINISTRO INTERINO DIZ APOIAR ISOLAMENTO SOCIAL

APÓS 100 MIL MORTES POR COVID-19, MINISTRO INTERINO DIZ APOIAR ISOLAMENTO SOCIAL

O ministro interino da Saúde, general Eduardo Pazuello, disse nessa segunda-feira (10/08), no Rio de Janeiro, que o governo apoia o isolamento social, contrariando o discurso e as ações da própria Presidência da República. Em evento de inauguração de uma nova unidade de processamento de testes da Covid-19 na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), ele defendeu a necessidade de tratamento precoce para impedir o aumento de mortes na pandemia. As informações são de Daniel Silveira e Henrique Coelho, do G1.

“Medidas preventivas e afastamento social são medidas de gestão dos municípios e estados e nós apoiamos todas elas, porque quem sabe o que é necessário naquele momento precisa de apoio e nós apoiamos. Mas, fica a lembrança de que, independentemente da medida que se tome, tem que estar aliada à capacidade de triar e procurar se as pessoas estão ou não com sintomas, o tempo todo”, declarou Pazuello.

A declaração contraria a postura do próprio general desde que assumiu interinamente o Ministério da Saúde. Em maio, ele foi alertado por um comitê técnico da pasta que, sem isolamento social efetivo, o país poderia levar até dois anos anos para controlar a pandemia. Mas, ao contrário do alerta, o ministro interino orientou a reabertura das atividades econômicas, quando o país já tinha mais de um milhão de casos da doença.

‘Número não faz diferença’
Pela primeira vez desde o sábado (8), quando o país atingiu a marca de 100 mil mortos pela Covid-19, Pazuello citou nesta segunda-feira o número de vítimas, relativizando que as ações de combate são mais importantes que a contagem de mortos.

“Não é um número. Todos os dias sofremos as perdas. Não é um número – 95 mil, 98 mil, 100, ou 101 – que vai fazer a diferença. O que vai fazer a diferença é cada um brasileiro que se perde”, disse ele. Para o ministro interino, é fundamental um trabalho preventivo”, disse.

Pazuello comparou a situação da pandemia no Brasil a uma hemorragia ao dizer que o país “precisa entender como parar o sangramento”. Para ele, diagnóstico precoce e tratamento imediato são as ações necessárias para conter o aumento do número de óbitos e defendeu a necessidade de união de toda a sociedade para combater a disseminação da doença.

“Não existe, nesse momento diferenças, partidários ou ideológica. Nós somos todos brasileiros combatendo, dia a dia, da melhor forma nos dedicando para que não haja mais mortos no nosso país. Já perdemos 100 mil brasileiros com nome, identidade e família. E podem acreditar, nós estamos todos os dias revendo nossos protocolos, procurando o que tem de melhor e alterando aquilo que não vinha dando certo”, reforçou o ministro interino.

Pazuello destacou, ainda, que o país está sob “esforço de guerra” para conter a disseminação do novo coronavírus. “Nós estamos lutando contra uma pandemia, e o nome disso é esforço de guerra”. Diante disso, cobrou que a população procure atendimento médico diante de qualquer sintoma da doença.

“Não está correto ficar em casa doente, com sintomas, até passar mal com falta de ar. Isso não funciona. Não funcionou e deu no que deu. E há dois meses nós mudamos esse protocolo. Diante de qualquer sintoma, procure uma unidade básica de saúde”, defendeu o ministro.

Aumento da capacidade de testagem
A Unidade de Apoio ao Diagnóstico da Covid-19 da Fiocruz inaugurada nesta segunda-feira vai ampliar a capacidade nacional de processamento de testes moleculares para detecção no novo coronavírus.

A nova unidade foi instalada na sede da Fiocruz, em Manguinhos, Zona Norte da capital fluminense. Com capacidade para processar até 15 mil exames de coronavírus por dia. Ela teve sua estrutura e equipamentos financiados pela iniciativa Todos pela Saúde e sua operação será custeada pelo Ministério da Saúde.

Outra Unidade de Apoio será inaugurada pela instituição no Ceará, podendo executar diariamente até 10 mil testes moleculares por dia. A previsão é que a unidade cearense comece a operar ainda em agosto.

De acordo com a Fiocruz, as novas instalações do Rio de Janeiro e do Ceará foram construídas com plantas semelhantes e ocupam uma área de aproximadamente 2,3 mil m2, cada uma. Equipadas com plataformas que utilizam a metodologia de PCR em tempo real, elas têm potencial para funcionar em tempo integral, sete dias por semana.

A expectativa é que mais de 350 profissionais, incluindo biologistas e técnicos de laboratório capacitados, se revezem em três turnos de trabalho para processar as amostras que são encaminhadas pelo Ministério da Saúde.

“Sabemos o quanto a testagem em massa é importante não apenas do ponto de vista clínico, mas também no que tange a implementação das medidas de controle da pandemia e da dinâmica social. O início da operação dessas novas unidades consolida o esforço da Fiocruz de um lado na produção dos testes e, do outro, no processamento das amostras”, disse o vice-presidente de Produção e Inovação em Saúde da Fiocruz, Marco Aurélio Krieger.

Foto: Henrique Coelho/G1 Rio

Do G1

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