APOIADORES DE BOLSONARO AGEM PARA DESQUALIFICAR EXTREMISTAS: “BLACK BLOCS DA DIREITA”

APOIADORES DE BOLSONARO AGEM PARA DESQUALIFICAR EXTREMISTAS: “BLACK BLOCS DA DIREITA”

Defensores do governo Jair Bolsonaro planejam isolar simpatizantes do presidente que apoiem causas radicais, como intervenção militar, fechamento do Congresso Nacional ou do Supremo Tribunal Federal (STF). A informação está em reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, publicada neste domingo (28/06).

A meta é qualificar os radicais como “black blocs da direita”, ou seja, como extremistas que não têm simpatia dos demais e nem legitimidade para falar em nome do grupo majoritário.

“Desde as Diretas-Já sempre tem um maluco com uma placa que diz bobagem. Esse pessoal com bandeiras inadequadas não representa o pensamento do grupo que apoia Bolsonaro”, afirmou ao Estadão o advogado Luís Felipe Belmonte, segundo vice-presidente do Aliança pelo Brasil, partido que está sendo montado pelo presidente e parte de seus apoiadores.

O debate em torno da proximidade entre Bolsonaro e os grupos radicais se acentuou a partir de abril, quando o presidente participou de um ato em frente ao quartel-general do Exército, em Brasília. Na ocasião, grupos numerosos portavam faixas em defesa do fechamento do Congresso e de “intervenção militar com Bolsonaro no poder”.

Um dia após a manifestação, porém, Bolsonaro repreendeu um manifestante que pediu diretamente a ele o fechamento das instituições. “Sem essa conversa de fechar. Aqui não tem que fechar nada, dá licença aí. Aqui é democracia, aqui é respeito à Constituição brasileira. E aqui é minha casa, é a tua casa. Então, peço por favor que não se fale isso aqui. Supremo aberto, transparente. Congresso aberto, transparente”, declarou.

Centrão, pandemia e inquérito
A motivação para afastar os radicais se explica, entre outros fatores, pela necessidade de Bolsonaro em ampliar sua base de apoio.

O presidente tem feito movimentos em direção ao chamado Centrão do Congresso Nacional. Recentemente, dividiu o Ministério da Ciência e Tecnologia, recriando o Ministério das Comunicações, e deu a nova pasta para Fábio Faria, deputado que pertence ao grupo. O Centrão era muito criticado por Bolsonaro antes de o presidente chegar ao Palácio do Planalto e parte de seus apoiadores mais radicais não lida bem com a aproximação.

A pandemia de coronavírus também estimula o desejo por mais parcerias. A gestão de Bolsonaro diante da crise motivada pelo covid-19 tem sido reprovada por parte da população.

Por fim, o inquérito que o STF conduz sobre a disseminação de fake news e a investigação acerca dos atos antidemocráticos são ainda elementos que levam os bolsonaristas a buscarem distância dos radicais. As ações policiais levaram à prisão dois ativistas pró-Bolsonaro na internet, Oswaldo Eustáquio e Sara Winter. Bolsonaro, embora tenha dado declarações de crítica à investigação, mais recentemente fez movimentos de aproximação à corte.

Foto: Sérgio Lima/AFP

Da Gazeta do Povo com Estadão

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *