A OPOSIÇÃO NÃO TERÁ VIDA FÁCIL NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

A OPOSIÇÃO NÃO TERÁ VIDA FÁCIL NAS ELEIÇÕES MUNICIPAIS

As últimas pesquisas que apontam os favoritos da população para as eleições de 15 de novembro deste ano lançaram por terra, ao menos nas 10 principais capitais brasileiras, os sonhos das lideranças da esquerda de que a tragédia em que se constitui o governo Jair Bolsonaro seria suficiente para minar a popularidade dos aliados do presidente da República nas disputas pelos governos municipais nos maiores municípios.

É claro que o cenário atual não leva em conta o peso do Horário Eleitoral Gratuito. Mas, considerando-se a margem de acerto das pesquisas, é pouco provável que a esquerda conquiste as prefeituras das maiores capitais brasileiras. Se a oposição crescer, deverá ser em cidades do interior dos estados, nas quais pesa muito mais a liderança e influência local do candidato que sua orientação política.

A exceção da enxurrada de candidatos líderes de pesquisas da direita nas dez principais capitais brasileiras é a ex-candidata à vice-presidência da República da chapa encabeçada por Fernando Haddad (PT) em 2018, Manuela D’Ávila (PCdoB). De acordo com o Ibope, em pesquisa divulgada no último dia 5, a candidata tem 24% das intenções de voto na disputa pela Prefeitura de Porto Alegre (RS) – dez confortáveis pontos à frente do segundo colocado, José Fortunati (PTB), com 14%.

Nas demais nove capitais – São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Salvador (BA), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Manaus (AM), Curitiba (PR), Recife (PE) e Goiânia(GO) – não há nenhum candidato do campo claramente à esquerda – aqui entendido como os candidatos do PT, PDT, PSol, PCdoB, PSTU e outros – liderando as pesquisas. Pelo contrário. Em quase todas elas, os líderes das pesquisas ou são escancaradamente alinhados a Bolsonaro ou a partidos ligados ao presidente da República, no Congresso Nacional.

Falemos apenas das três principais capitais, que têm peso mais significativo no cenário sucessório de 2022. Dos que se assumem bolsonaristas, por exemplo, o caso mais emblemático é o de Celso Russomano (Republicanos), em São Paulo. Com 37% das intenções de votos, ele perdeu popularidade, mas ainda está seis pontos percentuais à frente do segundo colocado (o prefeito Bruno Covas-PSDB) e dificilmente deixará de estar no segundo turno. Em São Paulo, o melhor colocado da esquerda é Guilherme Boulos (PSOL), que tem 12%.  

Já no Rio de Janeiro, o ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) lidera com folgados 30% das intenções de voto, contra os 14% do prefeito bolsonarista Marcelo Crivella (Republicanos). A candidata do PDT, Martha Rocha, tem apenas 10% das intenções de voto e é a única integrante da oposição que pontua bem nas pesquisas. O DEM de Paes, porém, como se sabe, é um dos pilares do “Centrão”, grupo que apoia Bolsonaro no Congresso Nacional.

Cenário parecido ocorre em Belo Horizonte, onde o prefeito Alexandre Kalil, do PSD (outro partido aliado de Bolsonaro), tem confortáveis 56% dos votos e deve caminhar para uma reeleição tranquila. O segundo colocado, João Xavier (Cidadania), tem apenas 6%. O candidato da oposição melhor colocado é Áurea Carolina (PSOL), com 3%.

Os números mostram que a base bolsonarista e antipetista – mesmo com todas as suas contradições e com os erros do Governo Federal – prossegue sendo a maior força política do Brasil nos governos municipais. Com PT à frente, a oposição terá muito trabalho para reconquistar a confiança do eleitor neste terreno. A julgar pelos números, vai demorar.  

Foto: Marcelo Camargo / Agência Brasil

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