A INDIGNAÇÃO CONTRA A LGBTFOBIA DEVE IR ALÉM DAS REDES SOCIAIS

A INDIGNAÇÃO CONTRA A LGBTFOBIA DEVE IR ALÉM DAS REDES SOCIAIS

Não se falou em outra coisa, ao longo da semana. A campanha da fabricante de cosméticos e produtos de higiene Natura com o ator Thammy Miranda, produzida especialmente para o Dia dos Pais, lacrou nas redes sociais. Não sem motivos. O preconceito do qual Thammy foi vítima causou profundo asco e confirma, novamente, que a internet foi tomada de assalto por uma quadrilha de bandoleiros e LGBTfóbicos do mais baixo nível.

Gente assim é responsável pelo fato de a comunidade LGBT+ (lésbicas, gays, bissexuais, transgêneros, travestis e transexuais) ser um dos grupos que mais sofre com a violência, no Brasil. Em abril, por exemplo, o portal UOL divulgou relatório produzido pelo Grupo Gay da Bahia informando que 329 LGBT+ foram vítimas da violência no País, em 2019. Os números assustam. Foram 297 homicídios e 32 suicídios, o que corresponde a uma morte a cada 26 horas.

Assustadores e absurdos, estes números não causam surpresa. O crescimento da violência contra a comunidade LGBT+ é fruto do discurso de ódio, de preconceito e de exclusão pregado pelo Bolsonarismo e pelas correntes evangélicas ultraconservadoras que invadiram a cena brasileira, nos últimos 20 anos. São eles os principais responsáveis pelos horrores enfrentados pelas vítimas da homotransfobia.

Não é um processo recente, portanto. Nem simples de ser resolvido. Muito pelo contrário. Como resulta da ignorância de boa parte da população brasileira e da verdadeira lavagem cerebral feita pela gente estúpida, raivosa e de alma pequena que protagoniza o Bolsonarismo e o movimento evangélico de extrema direita, este cenário só mudará se houver reação duríssima do movimento social progressista.

Isto não será possível, porém, apenas por meio das redes sociais. A batalha pelo fim do preconceito exige tomada de posição muito mais dura de quem tem compromisso com a causa LGBT+. Exige militância no movimento social, já que só por meio dele será possível tangibilizar as reivindicações da comunidade. Inclusive nas ruas, assim que isso for possível.

Mais que isso: a luta contra o preconceito exige apoio aos Conselhos dos Direitos Humanos de todo o País, que – mesmo com seu belo trabalho – permanecem muitas vezes invisibilizados para os setores da grande mídia que são incapazes de perceber sua extraordinária importância no debate e na solução dos problemas deste e de todos os grupos que são vítimas do ódio e da violência: mulheres, afrodescendentes, população de rua, comunidades indígenas, etc.

Exige ainda que o movimento progressista tenha a disposição e a coragem de enfrentar este problema no cotidiano, junto aos seus parentes, amigos e colegas de trabalhos. Não é mais possível admitir-se que piadas, palavras e atitudes homofóbicas prossigam sendo motivo de risos em casa ou no ambiente de trabalho.

Ou seja: o desafio de quem defende a causa LGBT+, pertencendo ou não a este grupo, deve ser bem mais amplo e permanente. Deve ser lutar, com todas as suas forças, pelo fim de todas as formas de preconceito, ódio e violência. E lutar fora do ambiente virtual, em todas as frentes.

Se a Covid-19 já é a maior tragédia sanitária brasileira, o Bolsonarismo e o reacionarismo evangélico são as maiores tragédias político-sociais da recente História republicana brasileira. 

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