A ALTA DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS É UMA AFRONTA À FOME

A ALTA DOS PREÇOS DOS ALIMENTOS É UMA AFRONTA À FOME

A alta nos preços do arroz, ocorrida nas últimas semanas, põe por terra os argumentos dos áulicos do neoliberalismo bolsonarista – entre eles, o ministro da Economia, Paulo Guedes – de que o mercado, e apenas ele, é suficiente para estabelecer uma regulação justa dos preços e do abastecimento adequado de gêneros alimentícios, em benefício dos consumidores.

O mundo real, longe dos gabinetes refrigerados dos empresários do ramo alimentício e do alto escalão do Ministério da Economia, em Brasília, diz o contrário. Nos últimos 12 meses, de acordo com o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada da Esalq/USP-Universidade de São Paulo), a alta do preço do arroz foi de 100%. Para comparar: segundo o IPCA (Índice de Preços para o Consumidor Amplo), a inflação acumulada nestes mesmos 12 meses foi de 2,44%.

Já em agosto, de acordo com o mesmo IPCA, a alta do produto foi de 19,2% no ano. No mesmo mês, o IPCA – índice calculado, importa explicar, pelo confiabilíssimo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) – registrou 0,24% de aumento na variação dos preços dos preços de produtos e serviços para o consumidor final, ou seja, o povão que mantém os burocratas em Brasília com seus impostos.  

Esta sopa de números tem um nome: abuso. Um abuso institucionalizado pelo excesso de liberdade de muitos produtores de arroz e supermercadistas, patrocinado pela omissão e incompetência estatal. Absolutamente nada, a não ser a ambição dos empresários por lucro desmedido, justifica aumentos tão abusivos. Ainda mais quando se sabe os métodos que estão adotando para encher suas burras de dinheiro: a exportação de arroz, para se aproveitar da alta do dólar, e a retenção dos estoques do produto para forçar a alta dos preços.

Fosse o Brasil um País sério, em vez da pífia decisão de isentar o II (Impostos de Importação) do arroz ou da risível iniciativa de invocar o patriotismo dos empresários, Guedes e sua trupe fariam o certo: utilizariam a Conab (Companhia Nacional de Abastecimento) para cumprir seu papel de regular os estoques, despejando o produto nos mercados e, com isso, forçar a redução dos preços.

O governo poderia ainda ir mais longe: buscaria dialogar com os governos estaduais a emitir notificações e multas, por meio dos Procons, contra os empresários que abusam dos preços. Em nome do livre mercado, porém o presidente Bolsonaro e o ministro Guedes  não fizeram nem uma coisa e nem outra. Com isso, o quadro que se desenha é de manutenção dos preços altos deste e de outros produtos, incluindo o feijão, a carne, o óleo (insumos da cesta básica) e até os materiais de construção.

Em um país com milhões de desempregados e de miseráveis, estes fatos soam como uma grave afronta à fome e ao desespero das famílias que sofrem por causa da escalada dos preços. Estamos falando de 13 milhões de desempregados, o maior número da série histórica da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, um dos indicadores do IBGE), que começou a  ser feita em 2012. E de cerca de 7 milhões de miseráveis, de acordo com a Pnad Covid 19, que inclui as pessoas que vivem com menos de US$ 1,90 por dia, ou R$ 154 mensais.

Os números não incluem outros tantos milhões de famílias de renda um pouco mais alta, mas que igualmente não conseguem suprir suas necessidades básicas de calorias diárias. E nada indica que o cenário vai melhorar. A inflação oficial do Brasil, ainda de acordo com o IPCA, foi de 0,24% em agosto – a maior para o mês desde 2016 para as famílias com rendimento de um a 40 salários mínimos.

Conter os preços não é questão de interferência no mercado feita por comunistas, como diriam os seguidores de Olavo de Carvalho. É questão de segurança alimentar e papel de um governo comprometido com as maiorias que sofrem com a desgraça social existente no Brasil e agravada pela redução da atividade econômica provocada pela Covid-19. Resta saber de que lado está este governo.

Foto: Agência Brasil

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